Não tem cadastro? Clique aqui!

Já tem cadastro? Entre aqui

  • BUSCAR
Busca avançada de vagas

Limpar campos

24/09/2012 - 17h33

Leitura: o antídoto contra a ignorância e o blecaute da inteligência gerencial brasileira

“Uma sociedade comprometida com a leitura é crítica, rebelde, irrequieta, pouco manipulável e não crê em slogans que alguns fazem passar por idéias.”

 

Mário Vargas Llosa, 1936-
Escritor, jornalista, ensaísta e político peruano

 

Você me viu em posição de destaque na prateleira da livraria de sua preferência. Logo percebi que seria alvo de sua curiosidade e interesse. Quando me dei conta de seu desejo de me conhecer melhor, eu já estava em suas mãos. Você me olhou e me avaliou sobre todos os ângulos possíveis – por dentro e por fora. Você agiu como se fosse escultor de uma grande obra ou mesmo como se estivesse acariciando o grande amor de sua vida.

 

Senti grande orgulho quando você se dirigiu ao caixa da livraria segurando-me em uma de suas mãos. Era mais um sinal clarividente de seu ávido interesse em me conhecer ainda mais e, também, sobre o que eu tinha para lhe ensinar sem lhe cobrar absolutamente nada em troca.

 

Agora, eu estou em sua casa e faço parte de sua biblioteca. Nos primeiros dias, todos desejavam me ter em suas mãos. Eles admiravam a beleza do meu vestuário, a capa, e a riqueza do meu conteúdo interno. Senti-me mais uma vez extremamente privilegiado.

 

Entretanto, passados alguns dias, passei a não ser notado por todos, inclusive por você. À medida que os dias se passavam, mais eu percebia que era esquecido e tratado com total indiferença – eu não mais chamava a atenção de ninguém em sua casa. Em pouco tempo, a poeira me sufocava e me cobria. Os cupins me ameaçavam e eu não tinha como me defender.  Hoje, vivo sozinho na mais completa escuridão de uma gaveta de seu criado mudo.

 

Afinal, lhe pergunto: por que você me comprou? Por que você me trouxe para sua casa – para decorar as prateleiras de sua biblioteca, para parecer mais culto do que você verdadeiramente é? Por que agora me trata com tamanho desprezo? Por que você não me lê mais? Por que você deixou de me consultar como fazia nos primeiros dias?

 

Você sabe que eu poderia ter ido parar na casa de um daqueles indivíduos que dizem: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever – inclusive a própria história.” (William Henry Gates III, 1955-, magnata, filantropo, fundador e ex-CEO da Microsoft).

 

Sim, acredito que eu poderia estar em lugar mais hospitaleiro e onde pudesse dar uma contribuição verdadeira ao desenvolvimento daqueles que amam a leitura, que perseguem a sabedoria e que por meio dela são capazes de aniquilar a ignorância e banir a escuridão que ameaça as nossas instituições – o blecaute de seus recursos humanos.

 

Caro leitor, acredito que muitos de nossos executivos compram livros com o genuíno interesse de lê-los e consulta-los sempre que necessário. Por outro lado, percebo também que a maioria deles tem verdadeiro pavor da leitura. Eles preferem manter-se na mais completa escuridão, como os habitantes das “Cavernas de Platão,” sob as mais esfarrapadas desculpas das quais as mais conhecidas são: “Eu não tenho tempo para a leitura. A empresa consome todo o meu tempo;” “O livro no Brasil é muito caro.” Que tentem, pois a ignorância e vejam que preço terão de pagar!

 

Inúmeras são as razões que nos conduzem a intransigente defesa da leitura:

 

Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida, a partir da leitura de um livro – Thomas  Mellon, Benjamin Franklin, Bill Gates, Bill Clinton, entre outros.

 

Os livros contém as idéias das melhores mentes em todos os campos do conhecimento humano.

 

Todo esse arsenal de conhecimento, inclusive gerencial, está à nossa disposição. É preciso apenas que nos debrucemos sobre eles.

 

Se outras pessoas escreveram a respeito de assuntos e experiências que podem contribuir para a ampliação de nosso nível cultural, desenvolvimento pessoal e profissional, por que não se beneficiar dessa vantagem e ler o que elas escreveram?

 

Ler muito é um dos caminhos para a originalidade; um profissional é tão mais original e peculiar quanto mais conhecer o que os outros disseram, afirmou M. de Unamuno, escritor espanhol, 1864-1936.

 

Eu, particularmente, não posso conceber e não tenho nenhum respeito pelo profissional que não lê.  Afinal, o profissional que não lê, não sabe pensar, não fala com sabedoria, não escreve bem e caminha com antolhos nos olhos.

 

Como já disse em outras ocasiões, ele é uma pessoa extremamente perigosa, como advertiu o teólogo maior da Igreja Católica, São Tomás de Aquino, século XIII, visto que se trata de um individuo de um único livro, a livro da própria ignorância.

 

Os livros, inclusive de negócios, podem ampliar tremendamente seus horizontes, protegê-lo nos momentos de crise e fortalecer suas convicções sobre determinados temas, entre outros benefícios.

 

Jamais estou distante de meus livros. Eles estão sempre ao alcance de minhas mãos. São certamente as horas mais preciosas de minha vida, pois converso com pessoas que já morreram e também com aquelas que nos influenciam no presente. Não trocaria essas horas na companhia das mentes mais brilhantes que já existiram ou existem no mundo por dinheiro nenhum. Afinal, desde muito cedo aprendi com Francis Bacon, filósofo inglês, 1561-1626, que “A leitura faz do homem um ser completo; a conversa faz dele um ser preparado, e a escrita o torna preciso.”

 

Caro leitor, à luz de minha defesa sobre a importância dos livros na construção de uma sociedade livre e desenvolvida, desejo recomendar para sua leitura o livro “Alexis de Tocqueville – O Profeta da Democracia,” de Hugh Brogan, cidadão britânico, professor de História Americana na Universidade de Essex, Inglaterra.

 

Essa é uma biografia excepcional. Ela fornece detalhes da vida de um dos mais profícuos pensadores da França no século XIX. Além disso, expõe a realidade social, econômica, política, jurídica, educacional, religiosa e militar da França em período tão conturbado de sua história.

 

Caro leitor, espero que você dedique diariamente pelo menos trinta minutos à leitura de bons livros. Mas nunca se esqueça de aprender a pensar por si mesmo.

 

ver mais dicas

Destaques

Currículo
Cuidado na sua redação
Carreira
A Escolha da Profissão
Sabe a diferença?
Recolocação, Outplacement , Headhunting e Coaching
Colunas
Daniela do LagoDaniela do Lago
Cezar TegonCezar Tegon
Eugenio MussakEugenio Mussak
Elaine SaadElaine Saad
Gutemberg de MacêdoGutemberg de Macêdo
Judith BritoJudith Brito
Licia Egger MoellwaldLicia Egger Moellwald
Luiz PagnezLuiz Pagnez
Boletim
Receba por e-mail o boletim do Emprego Certo

É necessário informar um e-mail