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14/08/2012 - 12h24

Nós não somos especiais!

Há pouco tempo, o professor de uma conceituada escola do ensino médio nos Estados Unidos barbarizou a platéia ao repetir nove vezes a frase “Vocês não são especiais” e, com isso, tornou-se o ícone da sensatez americana na análise da atuação dos jovens frente ao futuro.

Segundo ele, vivemos um momento em que a juventude está desconectada da realidade, é orgulhosa demais e acredita que não precisa se agarrar ao que quer porque o sucesso virá independente de luta e da dedicação pessoal. 

As palavras do professor culpavam os pais e foram claras - “Adultos ocupados mimam vocês, os beijam, os confortam, os ensinam, os treinam, os ouvem, os aconselham, os encorajam, os consolam e os encorajam de novo. (...) Assistimos a todos os seus jogos, seus recitais, suas feiras de ciências. Sorrimos quando vocês entram na sala e nos deliciamos a cada tweet seus. Mas não tenham a idéia errada de que vocês são especiais. Porque vocês não são.”.

Ao ler o artigo não pude descartar a proximidade com a maioria dos brasileiros de todas as gerações que desde crianças estão acostumados a ouvir que somos os melhores e que com o nosso jeitinho e simpatia conseguimos acabar com todos os preconceitos dos estrangeiros e que não é necessário sermos especiais porque no final tudo acaba em pizza.

No que tange ao comportamento humano nas organizações, nas escolas e na vida social devo dizer que vivo esbarrando com pessoas que acreditam que o sucesso econômico independe de valores bem estabelecidos, de generosidade e de muita luta pessoal para burlar o lado sombra que está dentro de cada um nós.

As demonstrações no cotidiano de que acreditamos que estamos acima do bem e do mal são explicitadas de várias maneiras e têm em sua maioria a conivência da sociedade.

A falta de pudor com que lidamos com os atrasos aos compromissos assumidos sejam eles no âmbito governamental, profissional ou pessoal. O descaso pelo outro e o pudor exacerbado em encarar que é preciso melhorar, tem atrapalhado o desenvolvimento do Brasil, das empresas e de cada um dos brasileiros. Mas, insistimos em esconder nossos defeitos com a máscara da simpatia.

Estabelecer metas exigentes para melhorar o desempenho individual no trabalho só pode ser sugerida, porque a insistência dos gestores pode ser motivo de processo por assédio moral.

Nos tornamos um país de pessoas com sensibilidade à flor da pele. Tudo o que nos exige demais consideramos excesso burocrático e portanto, passível de punição jurídica.

Mas para chegar a excelência é preciso saber que não estamos entre os melhores e que, o que estamos fazendo pode não estar bom. Sem isso, estamos lentamente perdendo a chance de melhorar como cidadãos e como país.

Ouvir na lata e sem perdão do chefe ou dos estrangeiros que nos visitam de que as coisas estão mal feitas, não deve ser motivo de mágoa. Ao contrário, deve ser visto como um alerta para a competitividade que grassa nesse mundo dito globalizado.

Nas Olimpíadas tivemos a oportunidade de verificar o quanto culpamos o outro pelos nossos deslizes, o quanto fomos parcimoniosos na entrega e como a nossa garra anda pouca.

Não tem jeito, é preciso que individualmente se entenda que o país, as empresas e as nossas comunidades dependem do nosso esforço pessoal e de respeito. Precisamos sim dar o melhor de nós sem melindres.

Só ser bonzinho e cheio de sorrisos não resolve um mau desempenho. A etiqueta está em não dissimular nossas fraquezas e ser bem educado não é ser aparentemente gentil. A boa educação está em ser honesto com os outros e consigo mesmo e, entender que o outro pode não nos ser gentil simplesmente por nossa culpa!

Para melhorar como nação e como indivíduos precisamos estar cientes de que ainda não somos especiais.

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