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25/05/2012 - 14h51

Para conversar é preciso ter competência

Numa palestra, uma moça simpática perguntou: – Por que é que ninguém mais sabe conversar?

Pergunta intrigante. Afinal, era uma palestra sobre o peso das emoções no ambiente de trabalho e, mesmo assim, ela ousou fugir totalmente do tema.

Pensando bem, ela tem toda a razão para questionar. Afinal, é preciso ser sensível e estar emocionalmente disponível para perceber essa falha nos relacionamentos de hoje.

Ao reparar nas mesas dos bares e restaurantes, não é raro notar que não são muitos os que estão de fato conversando. Em geral, há muita gente falando alto para tentar se fazer ouvir, mas, trocando idéias, são poucos.

Nesses encontros, ninguém parece de fato muito entretido com o outro. Lembram personagens de cinema mudo, todos parecem agitados, com muito sorriso nos lábios e... é só.

Conversar não é simplesmente contar para o outro como foi o dia, as agruras do trabalho, ou o capítulo da novela. Conversar exige empenho e competência, supõe disposição para ouvir, dar importância ao que foi dito e só depois verbalizar o que se pensa sobre aquele assunto.

Além disso, é preciso ter um repertório grande de informações para que a conversa nunca acabe. E a melhor maneira de fazer isso é buscar informações em várias fontes: livros, teatro, palestras, cinema, amigos etc.

Saber conversar é uma atividade tão séria na vida sócioprofissional, que as mais importantes universidades americanas incluíram, nos seus currículos acadêmicos, uma matéria voltada para a área de conhecimentos gerais.

Hoje, entende-se que, para um profissional ter sucesso, ele deve poder falar, pelo menos um pouco, sobre vinhos, música, teatro, literatura, futebol e novela. Isso é o mínimo para se sair bem em qual- quer situação.

O bom dessa história é que, para se ter um repertório variado de assuntos, basta começar a se informar. Para quem não tem idéia de como fazer isso, seguem algumas sugestões:

»Obrigue-se a ler ou a ouvir pelo menos um jornal todos os dias. Não é necessário aprofundar-se nas notícias. Lendo as manchetes e os artigos mais importantes, você estará apto a responder sobre qualquer assunto caso ele entre em pauta numa conversa.

»Procure saber sobre os livros que estão sendo lançados, se pu- der leia o resumo, já é suficiente para não fazer papel de bobo se alguém resolver perguntar se você já leu o tal livro. Com isso, é possível responder: “Achei o tema bacana, é o próximo na minha cabeceira.”

»Procure informar-se sobre os novos programas dos canais fechados e da TV aberta; em geral, isso é suficiente para propor muito papo.

»Vá ao cinema, mas não assista só a filmes do circuito Blockbuster. Aprenda a gostar de outros gêneros, mas lembre-se de que é preciso ter um pouquinho de paciência, pois esses filmes são mais lentos e sem tantos efeitos especiais.

»Frequente vernissages, visite museus e, se tiver grana, vá ao teatro. Não importa a ordem, mudar o repertório de programas pode ser uma boa.

Para encerrar: como conversar é uma arte que precisa ser desfrutada com tranquilidade, trocar os barzinhos barulhentos por locais aconchegantes e com cadeiras confortáveis é o início de uma boa conversa, que, algumas vezes, pode levar horas.

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