Não tem cadastro? Clique aqui!

Já tem cadastro? Entre aqui

  • BUSCAR
Busca avançada de vagas

Limpar campos

28/10/2011 - 12h55

Liderança

      "Procuram-se homens para uma viagem perigosa. Salário baixo. Frio extremo. Longos meses de completa escuridão. Perigo constante. Retorno com vida não garantido. Honra e reconhecimento em caso de êxito”.

 

      Este anúncio foi publicado num jornal britânico pelo irlandês Ernst Shackelton, no início do século 20, com o objetivo de recrutar homens para uma empreitada arriscada: a primeira travessia completa da Antártida. Pela honestidade do texto – uma convocação para aventura quase suicida –, era de se esperar que ninguém se apresentasse. Talvez apenas meia dúzia de desmiolados – ou aqueles que nada têm a perder ou a respeitar – topassem essa parada.  Pois Shackelton pôde fazer uma seleção a partir de um conjunto de mais de cinco mil candidatos, muitos deles experientes homens do mar ou respeitados naturalistas da época.

 

     A iniciativa tornou-se uma empreitada épica, relatada no livro "Endurance: Shackelton's Incredible Voyage", escrito por Alfred Lansing (como base em  registros de viagem, fotos e entrevistas), e publicado em 1959 (no Brasil: "A incrível viagem de Shackelton", 2004).  À primeira vista, parece apenas um diário de bordo, mas a leitura revela exercício de audácia e exemplo de liderança, permitindo analogias paradigmáticas úteis para o ambiente corporativo e – por que não? – para a vida.

 

      Tudo começa com a compulsão de um homem, Shackelton, pela ideia da inédita travessia por terra, em busca de riqueza e fama pela superação de competidores em façanhas exploratórias, como as do inglês Robert Scott, as do norte-americano Robert Peary e as do norueguês Roald Amudsen. O currículo de Shackelton em empreendimentos diversos não era exatamente um sucesso, mas ele era inegavelmente um homem obstinado – e obstinação às vezes significa ignorar fracassos, de forma quase autista, e seguir tentando. Sua maior aventura incluiria o desafio de vencer as águas mais turbulentas e perigosas do planeta.  Apesar de a marinha britânica ser a mais moderna e arrojada naquele momento histórico, os riscos eram enormes.

 

      O primeiro desafio de Shackelton foi o financiamento do projeto, inclusive a aquisição de um navio especialmente preparado para enfrentar o gelo – o Endurance. Tratava-se, é claro, de um projeto oneroso, e Shackelton precisou defender seu plano junto a patrocinadores – o governo e alguns ricos mecenas da época –, além de conseguir recursos com a venda antecipada de direitos sobre fotos, filmes, livro etc. 

 

      Mas a parte mais importante do projeto era a seleção da equipe. Os homens foram escolhidos a dedo para as diferentes funções num navio, e esse cuidado se revelaria fundamental, se não para o atingimento do objetivo original da viagem, iniciada em agosto de 1914, ao menos para a sobrevivência de todos - afinal, a maior vitória do projeto. Essa meta ficaria clara a partir de um acidente de percurso: o travamento do Endurance por grandes blocos de gelo e o posterior naufrágio. A partir daí, o objetivo de atravessar o Polo Sul daria lugar ao da sobrevivência  dos 28 homens. E isso só ocorreria definitivamente após muitos procedimentos  de risco, planejados ou emergenciais, ao longo de quase dois anos.

 

       O talento de Shackelton já fora demonstrado na capacidade de viabilizar financeiramente o projeto e, depois, em sua habilidade na escolha do time. Quando ficou claro que o perigo seria muito maior do que o originalmente imaginado, e que as chances de sobrevivência eram reduzidas, seu estilo de liderança se revelaria em diversos momentos. A capacidade de liderança é importante na gestão do dia a dia, mas é simplesmente crucial em situações de crise, para que cada decisão, mesmo as urgentes, seja resultado de análise custo-benefício. Shackelton discutia os problemas e soluções com seus homens de confiança, mas assumia a responsabilidade pelas decisões finais. E, nas inúmeras situações de tensão extrema, que exigiam decisões rápidas, Shackelton muitas vezes contrariou o senso comum e os impulsos dos liderados, decidindo a partir de probabilidades de sucesso. 

 

      A habilidade de Shackelton para gerir também se manifestava na delicada situação de longa convivência de pessoas diferentes em situações-limite. O líder soube compor grupos onde as chances de conflitos seriam menores, sob  a gestão de homens de confiança aos quais podia delegar tarefas. Mas, ao mesmo tempo, Shackelton também sabia mostrar aos liderados que era um deles, parte do time, e não alguém cheio de privilégios: reveza-se com os seus liderados nos  trabalhos físicos, em condições de igualdade. Adicionalmente, o líder conquistou a confiança geral de que nunca abandonaria seu time – e isso se revelou efetivo, com a sobrevivência final de todos.

 

      Uma das questões mais intrigantes desta aventura sem igual é suscitada a cada página: em condições tão inóspitas, isolados de qualquer exigência social sobre o cumprimento de contratos, e em situações quase sempre desesperadoras, por que não houve rebelião? Que motivos tinham aqueles homens para decidirem obedecer a Shackelton? Provavelmente porque estava implícito que as chances de sobrevivência seriam ainda menores sem a liderança excepcional de alguém que, misteriosamente, conseguia manter os homens estimulados às conquistas e, mais ainda, motivados, mesmo vivendo a  iminência da morte.

     

 

     

ver mais dicas

Destaques

Currículo
Cuidado na sua redação
Carreira
A Escolha da Profissão
Sabe a diferença?
Recolocação, Outplacement , Headhunting e Coaching
Colunas
Daniela do LagoDaniela do Lago
Cezar TegonCezar Tegon
Eugenio MussakEugenio Mussak
Elaine SaadElaine Saad
Gutemberg de MacêdoGutemberg de Macêdo
Judith BritoJudith Brito
Licia Egger MoellwaldLicia Egger Moellwald
Luiz PagnezLuiz Pagnez
Boletim
Receba por e-mail o boletim do Emprego Certo

É necessário informar um e-mail