Não tem cadastro? Clique aqui!

Já tem cadastro? Entre aqui

  • BUSCAR
Busca avançada de vagas

Limpar campos

15/09/2011 - 13h23

Monges e executivos

"O Monge e o Executivo", best-seller escrito por James Hunter, é um texto didático, cheio de boas intenções e até com alguns conceitos interessantes - ainda que chato. Trata-se do velho clichê: o executivo obsessivo que entra em crise ao ser confrontado com suas falhas e se percebe como mau marido, mau pai e, paradoxalmente, um profissional deficiente. Fora alguns personagens irritantemente estereotipados em papéis que encarnam o bem e o mal, uma das mensagens é, no mínimo, duvidosa: a liderança - a capacidade (inata ou adquirida) de influenciar pessoas na direção dos objetivos corporativos - deve advir da autoridade conquistada com altruísmo e amor, não do poder imposto. Liderar é servir.

 

O maior problema do livro está na venda da ideia mecanicista de que todos podem desenvolver a liderança altruísta (ou, mais além do trabalho, todos podem converter-se em verdadeiros Ghandis), bastando querer. E nesta cesta inclui-se, ainda, a promessa da verdadeira felicidade.

 

Mas, pior ainda são as correntes de consultores organizacionais que pregam com fé religiosa que a promoção da satisfação dos empregados é a condicionante-chave do sucesso empresarial, algo na linha de que a alegria corporativa é o verdadeiro gerador do lucro.

 

Embora equivocada, esta inferência não é de todo surpreendente, porque desde que nascemos precisamos buscar leis gerais que nos conduzam a finais harmônicos e felizes - ou, idealmente, que nos conduzam ao paraíso. Dos contos de fadas na infância à religião na vida adulta, passando por ideologias políticas, em alguns casos, precisamos ardentemente da promessa de "happy end". Mas, em geral, só na maturidade é que alguns conseguem enfrentar a crueza dos fatos: não há processo dialético ou lei alguma que garanta esse desenlace.


Da mesma forma, o empresário não será necessariamente recompensado com lucros pelo fato de se comportar bem com seus empregados. É normal encontrar correlação positiva entre melhor ambiente/satisfação no trabalho com lucratividade, mas na questão metafísica do "ovo e a galinha" é mais provável que empresas bem sucedidas sejam proativas em investir em melhores condições de trabalho, e não o inverso. A empresa deficitária terá menos disposição para focar em algo diferente de sua operação mais básica, e menor possibilidade de alocar recursos em itens mais sofisticados.


Break: como preceito ético, é evidente que todo empresário deveria ter preocupação com pessoas. Como homem e cidadão, este talvez devesse ser o objetivo maior, já que dedicar uma vida apenas a aumentar recursos materiais parece de uma pobreza elementar. Mas agora estamos falando de outro departamento.

 

É uma vitória da humanidade que o homem consiga - ou ainda, busque - sentir empatia pelo outro, e não apenas explorá-lo até o limite, mesmo após considerar a hipótese de que pode não haver recompensa alguma no fim da história. Aliás, parece haver uma "racionalidade inconsciente" nesta opção: as pesquisas mostram que há correlação entre grau declarado de felicidade e dedicação a causas humanitárias. Num exagero, podemos pensar que o homem deve procurar não ser egoísta motivado pelo extremo egoísmo de sentir-se melhor. E talvez não seja apenas para melhorar a imagem que Bill Gates, George Soros ou Ted Turner investem alto em causas humanitárias, ao invés de se dedicar somente a fazer multiplicar seus bilhões de dólares. Por outro lado, buscar falsas correlações para provar nossos desejos ou questionamentos profundos é confundir monges com executivos.

 

ver mais dicas

Destaques

Currículo
Cuidado na sua redação
Carreira
A Escolha da Profissão
Sabe a diferença?
Recolocação, Outplacement , Headhunting e Coaching
Colunas
Daniela do LagoDaniela do Lago
Cezar TegonCezar Tegon
Eugenio MussakEugenio Mussak
Elaine SaadElaine Saad
Gutemberg de MacêdoGutemberg de Macêdo
Judith BritoJudith Brito
Licia Egger MoellwaldLicia Egger Moellwald
Luiz PagnezLuiz Pagnez
Boletim
Receba por e-mail o boletim do Emprego Certo

É necessário informar um e-mail