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08/09/2011 - 10h50

O filho pródigo corporativo

“Temos de criar nosso itinerário de vida e, nesse percurso, também criamos a nós mesmos, tal como as obras de arte são criadas pelos artistas. O curso da vida, sua finalidade geral, seu destino supremo, só pode ser, é e continuará sendo para sempre um trabalho do tipo faça você mesmo.”

Michel Focault

 

Quem quer que se debruce sobre a leitura atenciosa dos grandes sermões, lições religiosas e morais transmitidos pelo profeta de Nazaré não deixará de perceber uma de suas mais belas parábolas, a Parábola do Filho Pródigo. (Evangelho de S. Lucas 15. 11 a 32).

 

Nela, o grande orador sacro diz que um homem tinha dois filhos. Certo dia, o filho mais novo aproximou-se dele e disse: “Pai dá-me a parte da herança que me pertence. E ele, prontamente, a repartiu entre eles.”

 

Poucos dias depois, o filho caçula juntou todos os seus pertences, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou tudo o que recebera de seu pai, vivendo dissolutamente.

 

Houve na terra que escolhera para viver uma grande fome, e ele começou a padecer necessidades, visto que desperdiçara toda a sua fortuna. Nessa situação, procurou um dos cidadãos da cidade em busca de trabalho e esse o mandou para os seus campos a apascentar porcos.

 

Nessa fase miserável de sua vida desejava saciar sua fome com as bolotas que os porcos comiam, porém ninguém lhe dava coisa alguma. E, caindo em si, disse: “Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome. Levantar-me-ei, irei ter como meu pai e dir-lhe-ei: Pai pequei contra o céu e perante ti; Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros apenas.”

 

Ao refletir sobre os inúmeros ensinamentos contidos nessa parábola – desagregação familiar, inveja entre irmãos, desobediência e desrespeito aos pais, vida dissoluta e irresponsável, falta de previdência em relação ao futuro, decisão insensata, humilhação humana, vida e carreira sem objetivos, empreendimento pessoal mal-sucedido, tirania da pobreza, tomada de consciência, poder do arrependimento e do perdão, condescendência e amor paternal, união e celebração familiar, entre inúmeras outras lições – minha mente se voltou imediatamente para aqueles profissionais que sem nenhuma reflexão mais aprofundada sobre o presente e o futuro de suas carreiras nas organizações onde trabalham, agem de maneira impensada e tempestiva. Eles se aproximam de seus superiores imediatos e dizem: “Quero deixar a empresa” ou “quero que você me demita. Desejo buscar nova oportunidade de carreira em outra empresa. O meu tempo expirou aqui. Dá para liberar o meu fundo de garantia?”

 

Os motivos comumente alegados são: “Eu não sou valorizado na empresa,” “o meu salário é inferior ao praticado por muitas empresas no mercado de trabalho,” “a empresa não tem um plano de carreira,” “eu já fui preterido duas vezes a novas promoções,” “não me dou bem com alguns membros da equipe,” “não tenho mais o que aprender aqui”, “desejo conhecer novas empresa e culturas”, quero colocar a prova os meus talentos”...

 

No fundo, a mensagem comunicada à organização é a mesma apresentada pelo jovem na parábola do filho pródigo: “Pai, dá-me a parte da herança que me pertence.” Isto é, aqui tudo é tão irrelevante e sem perspectiva que eu prefiro ir embora.

 

Essa solicitação poderia ser maravilhosa se o pródigo corporativo tivesse verdadeiramente um plano de carreira e a sua decisão fosse tomada de maneira racional, sensata e planejada. 

 

No entanto, o que observo na maioria das vezes é que os filhos pródigos corporativos não têm um plano de carreira, não têm um programa de autodesenvolvimento, não avaliam com objetividade o ambiente macro da nova empresa, o estilo gerencial de seus executivos, o grau de competência de seus colaboradores, os recursos de que disporão e a velocidade para atingir o seu alvo (não raro, um vôo de galinha) para empreender o seu trabalho, entre outros assuntos da maior relevância.

 

Surpresos com o que encontraram no novo ambiente, semanas depois, tomam consciência de que tomaram uma decisão precipitada e errada e desejam voltar para as mesmas organizações de onde partiram. Novamente, como o filho pródigo da parábola, eles dizem: “Quantos jornaleiros de meu pai, têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome.”

 

Nesse instante, disparam telefonemas para os antigos chefes e marcam encontros reservados para falar abertamente de suas angústias e pesadelos. Alguns estão dispostos até a se submeterem ao “efeito serrote.” Isto é, se saíram como diretores aceitam voltar como gerentes. Se eles eram gerentes aceitam voltar como coordenadores ou supervisores. Nesse caso, é bom lembrá-los que como os dentes do serrote se desgastam, o mesmo ocorre com a sua carreira.

 

Ah, como seria bom que a vida e a carreira viessem com um manual de instrução a seguir ponto a ponto. Infelizmente, isso nunca acontece. De qualquer maneira, aqueles que têm compromisso com o sucesso de suas vidas e carreiras deveriam empreender esforços para minimizar ao máximo os seus erros.

 

Recentemente, conversando com um experiente e competente diretor de recursos humanos de grande empresa multinacional norte-americana, ele me relatou um episódio que ilustra no mundo corporativo a parábola do filho pródigo.

 

Segundo ele, sua empresa estava investindo fortemente no desenvolvimento de um jovem promissor. Certo dia, inesperadamente, o jovem procurou seu superior imediato e lhe comunicou que tinha recebido uma oferta de trabalho em outra organização com salário e benefícios superiores. Nesse caso, ele gostaria de deixar a empresa.

 

O diretor de recursos humanos o procurou a fim de conversar sobre a proposta recebida e entender os verdadeiros motivos de sua decisão. Ao discutir demoradamente sobre as perdas reais de sua remuneração - despesas com deslocamentos, benefícios inferiores e especialmente a oportunidade de crescer na organização, etc – mostrou com grande clareza que não havia nenhuma vantagem no pacote que lhe foi oferecido.

 

Quando o jovem profissional percebeu que não havia nenhum ganho, expressou interesse em voltar atrás em sua decisão.

 

Nesse momento, o diretor de recursos humanos, sabiamente, lhe disse: “Prezado jovem, nós não temos nenhum interesse em mantê-lo na empresa, pois você demonstrou não saber fazer contas. Assim sendo, você é inapto para tomar decisões. Portanto, você não serve para a nossa empresa.” 

 

Caro leitor, na vida corporativa nunca espere ser tratado com a benevolência de um pai que lhe perdoa, que lhe abraça e que promove uma grande festa com a sua volta. Na maioria das vezes, as portas estão fechadas.    

 

 

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