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06/01/2011 - 12h23

Relação profissional: infinita enquanto dure

Não há dúvida de que o contrato de trabalho entre empregador e empregado, especialmente quando em um dos lados está uma grande corporação empresarial, não é exatamente uma relação entre iguais. É verdade que as leis trabalhistas e a imposição crescente de condutas politicamente corretas e sustentáveis oferecem considerável proteção à parte, em tese, mais fraca. Também é verdade que muitos profissionais conseguem - a partir da combinação de talento, empenho e sorte - traçar trajetórias individuais em que podem escolher onde querem trabalhar, decidindo por trocar de patrão quando bem entendem. No entanto, no time de trabalho de uma organização, no limite, ninguém é insubstituível, enquanto, em geral, há muitos candidatos a cada vaga desta empresa. Em consequência, há inevitavelmente contingentes de desempregados em quase todas as sociedades, mesmo em fases em que a economia vai bem.

 

O emprego é, sim, uma fria relação contratual, mas o papel profissional é também um dos mais importantes que o indivíduo desempenha durante a vida. Envolve, portanto, desejos, ambições e emoções. Nem por isso a atitude (de ambos os lados da relação) precisa ser a que resulta em certas posturas trágicas.

 

Às vezes ouvimos discursos amargurados quando uma companhia decide terminar uma relação profissional, especialmente se esta tiver sido longa: “Depois de tantos anos de dedicação à empresa, de eu ter me sacrificado tanto...”. Também há as situações em que, por ter obtido proposta mais vantajosa ou simplesmente por falência da relação profissional em curso, o empregado decide alçar outros voos - e a contrapartida é uma reação passional do chefe, que enxerga na mudança uma manifestação de ingratidão do discípulo.

 

Não é fácil, mas sem dúvida é bem mais saudável, procurar ter conta corrente equilibrada nas relações profissionais. Vale o planejamento pessoal no sentido de conquistar uma postura que permita concluir como saldo de um relacionamento profissional: ofereci o melhor que pude à empresa e ela pagou-me o valor justo por este esforço. Idealmente, ninguém deveria se sentir devedor ou credor no decorrer de um contrato profissional, de forma que, num rompimento, nem a empresa se sinta traída - caso seja do empregado a iniciativa, nem o empregado se sinta vítima - caso o desligamento seja decisão do empregador. Nada similar a um passional divórcio não amigável, no qual ambas as partes sentem-se lesadas, achando que a "culpa" pelo fim da relação é sempre do outro. 

 

Do ponto de vista individual, exceto em situações de escravidão, em tese ninguém é obrigado a tolerar aquilo que não quer, como situações extremadas de desequilíbrio, nas quais o empregado desempenha o papel de vítima. Mas trata-se, sem dúvida, de avaliação para a qual é possível contar com poucos elementos objetivos e muitos de caráter subjetivo. Por mais que existam explicações racionais, é difícil entender a razão de o colega de trabalho ter sido promovido e eu não.

 

Todos estamos sujeitos a momentos de questionamento íntimo, em que nos perguntamos se a conta está certa, de um lado ou de outro. Ou seja, se há break-even. Se a conclusão é de que há algo errado – e esse é sempre um resultado não-científico e cheio de motivações emocionais – o ideal é reequilibrar a relação ou mudar de rumo. Falando assim, parece fácil e racional, mas o fato é que tais momentos internos são turbulentos, porque os apegos profissionais podem ser densos e intensos. Afinal, o trabalho é parte importante da nossa vida e de nossa identidade, e absorve muito do nosso tempo

 

É difícil fazer rompimentos sem sofrer ou sem se sentir um monstro. Mas o ideal seria enxergar a relação rompida como o fim de um contrato, com quitação integral entre as partes, tendo ambas se beneficiado do tempo de convivência. Valem para a relação profissional os versos de Vinicius de Moraes sobre a relação amorosa: "Que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja infinito enquanto dure".

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