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29/11/2010 - 20h02

Carreira - os vencedores nunca mentem

“Seja honesto. São necessários 20 anos para construir boa reputação, mas bastam cinco minutos para arruiná-la. Se você pensar nisso, fará as coisas de outra forma”.

 

Warren Buffett - 1930

Warren Buffett Speaks

 

A carreira profissional deve ser ancorada em absoluta integridade de propósito, em conduta ética irrepreensível, em caráter ilibado e em comportamento imune a qualquer tipo de dúvida ou questionamento. Com base nessas premissas, enfatizamos que todo profissional, independente de sua posição, deve ser padrão e modelo para todos aqueles com os quais trabalha e se relaciona. Afinal, como observou Don Schmincke: “Não se pode ser aleatoriamente seletivo ao escolher a atitude correta. Não se pode agir nos negócios de modo diferente de como se age na vida familiar ou na sociedade. Não se pode ser um ladrão de noite e não o ser durante o dia. Não se pode ser um mentiroso nos cenários sociais sem o ser numa sala de reuniões. Todas as ações em todas as situações devem ser consideradas corretas”.

 

Quem quer que observe algumas de nossas instituições – públicas ou privadas - perceberá a dualidade e o descompasso entre aquilo que seus líderes apregoam em seus comunicados internos e credos corporativos, e o que verdadeiramente fazem no seu dia a dia operacional. O contraste é flagrante e visível. 

 

Integridade, quando se refere à natureza humana, significa “being complete”. O vocábulo vem da palavra “integral”, que significa “total” ou “indivisível”. É também definido no dicionário Merriam-Webster’s New Collegiate, como “essencial to completeness”. Em outras palavras, para se ter integridade é necessário que homens e mulheres sejam pessoas completas.

 

Portanto, viver sem integridade é portar-se como um ser humano incompleto. “Essas pessoas, na linguagem teológica, são comparadas ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência”.

 

Os homens não podem ter respeito e reverência pela vida, pelo convívio sadio e pelo trabalho que desempenham, a menos que viabilizem uma conduta ética que inclua honestidade e verdade em todas as suas ações.

 

A desonestidade é uma espécie de círculo vicioso, onde um ato desonesto menor, gradativamente, leva o homem a cometer um outro ainda maior, até que perca por completo seu referencial. Ninguém começa a roubar em grandes somas. É um processo em que gradativamente vai se aumentando o roubo até fugir completamente do controle de quem o pratica. O seu caminho é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam.

 

A desonestidade destrói a mais sólida das carreiras, as maiores e mais sólidas corporações do mundo, as famílias e os relacionamentos humanos mais sólidos.

 

É bom enfatizar a sabedoria judaica a esse respeito como explicitada em meu último livro, “O Princípio da Sabedoria – Lições de Salomão para o Bem-Viver”. “O nome dos perversos cai em podridão” e “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte”.

 

Se a falta de integridade gera no seio da sociedade moderna verdadeiros monstros, por outro lado preserva aqueles que são capazes de manter um caráter exemplar, conduta ética transparente e integridade na condução de seus negócios e em suas relações pessoais.

 

As consequências de um comportamento íntegro são manifestas:

Primeiro, paz de mente, sem a qual a vida de um indivíduo, por mais afluente que seja, torna-se um verdadeiro inferno; por mais que apele para a força do mais poderoso sonífero não terá paz de espírito para dormir um sono tranquilizador. Assim, repetimos as sábias palavras do rei Salomão: “Quem anda em integridade anda seguro” (Provérbios 10.9) e de Narayana Murthy, fundador e ex-CEO da Infosys: “Os líderes com princípios têm menos chances de sentir-se intimidados ou manipulados porque conseguem traçar linhas nítidas na areia... O travesseiro mais macio é a consciência limpa”.

 

Segundo, o fortalecimento de uma imagem pessoal admirada, respeitada e digna de ser imitada, a exemplo do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, madre Tereza de Calcutá,  entre tantas outras figuras ilustres que engrandecem a história da humanidade. 

 

Terceiro, os relacionamentos são construídos de maneira sólida e perene quando têm por base a verdade, a confiança e o respeito até mesmo aos inimigos. Se a desonestidade destrói relacionamentos considerados sólidos, a honestidade alimenta-os ainda mais – fortalecendo-os e tornando-os eternos.

 

Quarto, a integridade é a garantia de uma vida saudável e comprometida com o bem da sociedade. Todos nós necessitamos ser honestos, não em razão daquelas coisas que podem nos acontecer se nos comportarmos desonestamente, mas em razão do que acontece dentro de nós mesmos, quando agimos honestamente.

 

Caro leitor, se aspiramos carreira profissional de sucesso e uma vida que adicione valor aos nossos lares, organizações e país, é melhor que iniciemos a revolução das revoluções – a revolução do caráter. Ninguém tem poder para mudar o mundo. Mas cada um tem a possibilidade de mudar a si mesmo. Se alguém pretende transformar o ambiente em que vive, só lhe resta um caminho: começar pela transformação de si mesmo. Aqui, mais do que nunca, se aplica o adágio latino: “As palavras voam, os exemplos arrastam”.

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