Não tem cadastro? Clique aqui!

Já tem cadastro? Entre aqui

  • BUSCAR
Busca avançada de vagas

Limpar campos

30/07/2010 - 13h48

Bullying no trabalho: como lidar com essa situação

Por Viviane Macedo
Em São Paulo
Diferente do que muita gente ainda pensa, situações de bullying no trabalho ou, como é mais conhecido, assédio moral, nem sempre são protagonizadas por gritos histéricos de um chefe descontrolado. Muitas vezes -- muitas mesmo-, o bullying parte dos próprios colegas, em meio a brincadeiras que para uns podem ser inocentes, mas para outros, agressivas. "O bullying nada mais é que uma forma de agressão psicológica que deixa a vítima sem ação, faz com que ela se sinta mal, desconfortável", aponta a psicóloga Sâmia Simurro, vice-presidente da Associação Brasileira de Qualidade de Vida - ABQV. "A essência é denegrir, humilhar a outra pessoa, de forma que ela se sinta constrangida", completa a coach Daniela do Lago.

Assim, não é tão fácil identificar um assédio moral e, mais, nem sempre o agressor tem conhecimento das dimensões do que faz para determinada pessoa. Por isso, Daniela alerta - é preciso ficar mais atento com a maneira como age com os colegas. "Não defendo um ambiente de trabalho sério e carrancudo, só acho que as pessoas têm de prestar mais atenção aos limites das outras. Não é porque uma coisa pra mim é natural e não me ofende que será igualmente visto pelo meu colega. Cada um tem uma reação perante determinada brincadeira, e precisamos respeitar mais essas diferenças", aponta a coach.

Segundo ela, quem mais sofre com assédio moral em forma de brincadeira são pessoas com características marcantes, que chamam atenção. "Não que sejam os únicos, mas esse grupo acaba sofrendo mais com piadinhas dos colegas de trabalho e é justamente quem tem tendência a já carregar um trauma anterior", diz Daniela.

Mas as brincadeiras são apenas uma forma de como o assédio pode acontecer. Há muitos outros casos, como falta de respeito, abuso de poder para coagir as pessoas, palavras de baixo calão e por aí vai. Independente de qual seja a forma de assédio, segundo as especialistas, o melhor é encarar a situação. "Quando perceber que está sofrendo o bullying tem de tomar uma atitude", alerta Sâmia.


O silêncio agrava
O que Daniela explica é que o silêncio, mantido por muitos profissionais, agrava a situação. "Não tem porque ficar com medo ou vergonha de colocar para o agressor que aquela situação não está agradando. É conversando que muitas pessoas acabam com o assédio moral", garante.

Para ela, o silêncio é um agravante, porque pode demonstrar que não está tão incomodado com a situação e dá espaço para que o assédio continue. "Tem de chegar para o chefe ou para quem for e dizer que não está gostando de determinado tratamento, que está se sentindo assediado e pedir para que a pessoa aja de forma diferente".

Sâmia alerta, porém, que quando o assédio vem de um grupo, enfrentar todos de uma vez não é a melhor opção. "É preferível tratar com as pessoas individualmente. Chegar no grupo e dizer que não gosta, pode causar mais problema do que acabar com ele".


O papel das empresas
Trabalhar contra o assédio moral é papel fundamental das organizações, até porque, além de estarem contribuindo para um ambiente melhor e mais produtivo, se resguardam contra futuros processos que situações de bullying podem trazer. "Visões diferentes colaboram para o sucesso de qualquer organização, e isso é fundamental. Criar uma política das diferenças é indispensável para uma empresa nos dias de hoje", aponta Sâmia.

Segundo ela, algumas empresas têm ouvidoria para manter um contato mais estreito com seus funcionários e eventualmente tratar esse tipo de caso. "Claro que têm de garantir o sigilo e proteção para quem denuncia. Esse é um mecanismo que pode colaborar bastante. Sozinho nem sempre é fácil, mas quando são percebidos caminhos para se defender do assédio, a vítima dessa situação se sente mais segura", diz a psicóloga.


Processo legal
Ainda hoje, muitas pessoas que sofrem assédio moral têm medo de entrar com um processo na justiça e ser discriminado pelo mercado depois - não conseguir um novo emprego. Segundo Daniela, não há como dizer que nenhuma empresa haja dessa forma, mas, diferente do que muitos pensam, não é algo que ocorre como uma regra. "É uma relíquia cultural que o brasileiro carrega e que o limita nessa questão".

Ela questiona: "Você já fez alguma entrevista de emprego onde lhe foi perguntado se já processou algum antigo empregador? Eu, pelo menos, não tenho conhecimento de nenhum caso que essa pergunta tenha sido feita", afirma.

No entanto, processos são demorados, exigem provas e situações realmente contundentes. Daí o conselho de tentar conversar antes e buscar resolver a situação de maneira amigável. Quando isso é tentado e sem êxito, o processo é uma opção válida e o direito de qualquer pessoa. "A vítima não tem de ter medo de buscar seus direitos e nem vergonha, pelo contrário, se realmente sentiu-se assediado, não pode passar por cima disso e continuar uma tortura psicológica que só agrava com o tempo", finaliza Daniela.


LEIA TAMBÉM:
Gerente de gente da AmBev fala sobre redes sociais, carreiras e programas de trainee; assista
Você consegue aprender com as diferenças?
A entrevista é um show e o ator principal é você


ver mais dicas

Destaques

Currículo
Cuidado na sua redação
Carreira
A Escolha da Profissão
Sabe a diferença?
Recolocação, Outplacement , Headhunting e Coaching
Colunas
Daniela do LagoDaniela do Lago
Cezar TegonCezar Tegon
Eugenio MussakEugenio Mussak
Elaine SaadElaine Saad
Gutemberg de MacêdoGutemberg de Macêdo
Judith BritoJudith Brito
Licia Egger MoellwaldLicia Egger Moellwald
Luiz PagnezLuiz Pagnez
Boletim
Receba por e-mail o boletim do Emprego Certo

É necessário informar um e-mail