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10/06/2010 - 18h21

Feiticeiros e aprendizes: chefes e subordinados

Uma das (muitas) coisas que minha mãe, uma dona de casa, me ensinou foi o valor da delegação de funções na vida executiva. Isso mesmo. Ela nunca trabalhou numa empresa, mas o fato de deixar-me assumir responsabilidades em tarefas difíceis, como cuidar de meus irmãos menores, foi um treinamento e tanto. O paralelo parece estranho, mas para mim é claro: minha mãe tinha a maturidade e a segurança pessoal necessárias para delegar - e essas premissas valem tanto no ambiente doméstico como no corporativo.

De fato, nem todas as pessoas são preparadas para a arte de delegar. Ao abrir mão de cuidar todo o tempo de meus irmãos, minha mãe sabia dividir comigo não apenas o trabalho, mas o apego maternal deles por ela - em parte transferido para mim. É preciso ter desapego e não ser pessoa dominada pelo ciúme para saber abrir mão do poder que vem no bojo da relação direta com o objeto de atenção, orientação e cuidado.

Também é preciso ser alguém sem grandes carências afetivas e seguro em seus papéis. Minha mãe não temia perder seu papel de mãe ao deixar-me praticá-lo também. Ela era absoluta e inigualável, mesmo sabendo que, em certos momentos e em aspectos específicos, talvez eu pudesse me sair até melhor que ela. Se fosse numa relação corporativa, minha mãe seria como um "gestor coruja" que se orgulhava do sucesso do seu pupilo.

Aos poucos, eu ocupava mais espaço - porque ela me permitia, ao confiar em mim. Pude até imprimir um pouco de meu estilo na educação dos meus irmãos mais novos. E nada disso fez dela menos mãe - ao contrário, os benefícios da parceria eram pontos fortes de sua "gestão". Ela não estava competindo comigo, simplesmente porque não havia razão para isso. A "chefe" não me via como ameaça, mas como a aprendiz que contribuía na administração da casa.

Numa relação mãe-filha talvez a delegação seja mais fácil, porque é mediada pelo amor materno. Mas na vida profissional ela deve ocorrer porque esta é a via mais inteligente, a mais racional. Ninguém cresce se ficar preso ao presente - nem os feiticeiros, nem seus aprendizes. Infelizmente, não são raros os exemplos de gestores que se apossam de suas funções e tarefas como se estas fossem sua garantia de sobrevivência, e competem com seus subordinados, não permitindo que cresçam. Impelidos pelo ciúme e pela insegurança, não percebem que a energia gasta neste esforço poderia ser usada para alçar voos maiores. Em geral, tais gestores também sentem necessidade de carrear para si próprios todos os méritos, já que enxergam os talentos do time como ameaças.

Numa corporação, delegar de forma responsável é salutar para todas as partes envolvidas. Para o gestor, significa livrar-se de atribuições que já são conhecidas e dominadas, de forma a poder dedicar-se a assuntos mais sofisticados, o que lhe permite o próprio crescimento. Para o chefiado, significa a chance de aprender e crescer, apesar do eventual stress trazido pelos desafios. E a empresa tem os benefícios desta dinâmica saudável.

A verdade é que ter um cargo de chefe é uma coisa. Ser reconhecido como líder - aquele que orienta e conduz o crescimento, e que confia em si próprio e no outro - é outra coisa completamente diferente; e nem todos estão preparados para tais desafios.

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