Não tem cadastro? Clique aqui!

Já tem cadastro? Entre aqui

  • BUSCAR
Busca avançada de vagas

Limpar campos

24/05/2010 - 11h55

Os 7 pecados capitais: ignorar a importância de uma vida pessoal e profissional sincronizada (parte 6)

"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu".
Eclesiastes 3:1


O desequilíbrio entre a carreira profissional e a vida de inúmeros profissionais tem sido responsável por uma avalanche de problemas, cujas consequências não se circunscrevem apenas ao plano individual. Abalado física, emocional, intelectual e socialmente, o profissional pode comprometer a organização, o superior imediato, os subordinados, os colegas, a comunidade e a família, além, obviamente, da própria carreira e posição hierárquica que estiver exercendo.

Deixar-se levar até esse ponto de desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional é o sexto erro capital na carreira de um executivo. Durante os últimos anos, tenho estado em contato com centenas de profissionais que, mesmo atingindo posições de destaque e de sucesso invejável, se encontram em conflito interno permanente, sentindo uma profunda necessidade de conquistar mais harmonia interior, eficácia pessoal e relacionamentos mais gratificantes e duradouros.

Para mim, é eloquente a tragédia do diretor de uma importante empresa que me confessou recentemente: "Fiz dos últimos dezoito anos da minha vida uma perseguição implacável ao sucesso na carreira. Venci. Mas hoje acho que o que fiz foi uma estupidez. Sempre amei muito meus dois filhos, mas acho que esqueci de demonstrar isso a eles, de conviver mais com eles. E o resultado é que ambos são viciados em drogas".

Outro profissional tenta clarear a questão, a partir da sua própria experiência, opondo o sucesso profissional ao sucesso na vida familiar: "Sempre acreditei que o sucesso de um casamento está, entre outras coisas, no nível de mútua consideração entre os parceiros e na disposição que se tem para mantê-lo vivo através de uma amizade solidária e interdependente. Hoje, um ano e meio após minha separação, acho que cometi um grande equívoco. O problema é que concentrei todas as minhas atenções na carreira profissional. E não há relação que resista a isso." Em outras palavras, o sucesso externo não justifica o insucesso interno.

Costumo me referir à carreira profissional como se ela fosse uma roda. A forma circular da roda permite um deslocamento suave e veloz - ao contrário da trajetória cheia de solavancos que se obteria com o uso de um pentágono, hexágono, etc. Entretanto, a perfeição da roda não é garantia de um deslocamento perfeito. Se a base sobre a qual ela se movimenta estiver cheia de buracos ou saliências, o resultado é uma viagem também cheia de solavancos e, eventualmente, inviável.

Quando um profissional enfatiza obsessivamente apenas o aspecto da sua carreira, em detrimento de outros, sua vida perde simetria. Os "solavancos" afetam todo o sistema. Tanto o lado pessoal quanto o profissional são atingidos pelos estragos. Na carreira de um profissional, uma situação pessoal cheia de irregularidades é danosa: é como um caminho esburacado, que afeta muito pouco quem anda por ele a pé ou a cavalo, mas que arrebenta um veículo que passe em alta velocidade.

É fácil derrotar um profissional em desequilíbrio. Mesmo que não perceba ou não queira perceber, ele traz para o trabalho os maiores e mais profundos conflitos - aqueles que são travados diariamente nos cantos silenciosos da alma. A falta de organização pessoal é uma das manifestações clássicas do desequilíbrio.

Ela provoca distúrbios como:



  • Desordem na mesa de trabalho;

  • Ausência de prioridades claras e, portanto, dificuldade ao longo do dia para manter o controle da situação;

  • Tendência a querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo;

  • Incapacidade para delegar responsabilidades.


O filósofo Jacques Ellul resume com extraordinária perspicácia o que está por trás dessa insidiosa ameaça à carreira profissional: "O homem e a mulher da sociedade tecnológica", reflete ele, "suprimiram as pausas necessárias ao ritmo de vida; esse tempo para escolher, adaptar-se, recolher-se sobre si mesmo não existe mais..."

O cultivo da leitura, do teatro e da música, a prática do esporte, um passeio solitário entre as árvores de um bosque, um banho descontraído sob uma cascata, a manutenção de uma amizade construtiva e duradoura, a recepção e visita a amigos são atividades que aos poucos desaparecem, fruto de uma vida desequilibrada. Argumentamos: "Não tenho tempo" ou "O tempo é escasso demais" e vamos assim azeitando a engrenagem que acaba por nos triturar. Não é à toa que os consultórios de psicanalistas andam lotados de profissionais. Ou será esta uma nova forma de lazer?

Não existe maior mentira do que se querer fazer da vida profissional algo extraterrestre. O trabalho não foi criado para massacrar o homem e aqueles que o cercam. Ao contrário, o trabalho tem de ser fonte de harmonia e satisfação e servir para que participemos da recriação do universo.

"Domine o homem sobre todas as coisas" - inclusive sobre si próprio. E o desequilíbrio nasce do domínio das coisas sobre o homem. Vamos trocar a orquestra, caro leitor! O sucesso da carreira profissional não é necessariamente exclusivista! Apesar de suas fortes exigências, a vida profissional não precisa ser conflitante com uma vida particular ajustada em todas as esferas.

Conheço profissionais bem-sucedidos que mantêm uma vida balanceada. São bons profissionalmente e, até onde sei, bons maridos, bons pais, bons líderes e bons cidadãos. O segredo? Sabem dividir, compartimentar esses diferentes papéis. No tempo e no espaço certos a cada cena, dão o máximo de si para compreender e estimular os demais personagens, tratando de compartilhar com cada um deles um relacionamento verdadeiro.

É preciso refletir com profundidade. A vida é uma benção de Deus. Desequilibrá-la é destruí-la. E destruí-la é uma espécie de estupro da própria divindade. Se Ele descansou, quem afinal você pensa que é para querer ir além?

LEIA TAMBÉM:
Os 7 pecados capitais: delegar a terceiros os rumos da própria carreira (parte 1)
Os 7 pecados capitais: optar de forma imprevidente pela empresa errada (parte 2)
Os 7 pecados capitais: permanecer por tempo excessivo na mesma posição (parte 3)
Os 7 pecados capitais: subestimar o valor do marketing pessoal de alta visibilidade (parte 4)
Os 7 pecados capitais: negligenciar a aquisição contínua de novos conhecimentos (parte 5)

ver mais dicas

Destaques

Currículo
Cuidado na sua redação
Carreira
A Escolha da Profissão
Sabe a diferença?
Recolocação, Outplacement , Headhunting e Coaching
Colunas
Daniela do LagoDaniela do Lago
Cezar TegonCezar Tegon
Eugenio MussakEugenio Mussak
Elaine SaadElaine Saad
Gutemberg de MacêdoGutemberg de Macêdo
Judith BritoJudith Brito
Licia Egger MoellwaldLicia Egger Moellwald
Luiz PagnezLuiz Pagnez
Boletim
Receba por e-mail o boletim do Emprego Certo

É necessário informar um e-mail