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17/05/2010 - 10h55

Os 7 pecados capitais: negligenciar a aquisição contínua de novos conhecimentos (parte 5)

"Eu estudei e me preparei e talvez minha oportunidade chegue".
Abraham Lincoln, 1809-1865

O quinto dos sete pecados capitais na carreira executiva é a negligência com o autodesenvolvimento. O despreparo hoje verificado no corpo gerencial de nossas empresas chega a ameaçar o desenvolvimento nacional. Não tenho a menor dúvida ao afirmar que essa mediocridade e incompetência gerenciais que nos assolam são responsáveis em parte por algumas das misérias brasileiras:



  • Nossos baixos índices de produtividade em relação aos mercados internacionais;

  • Os altos índices de acidentes de trabalho;

  • As sucessivas crises políticas, sociais e econômicas;

  • O nosso baixo nível de competitividade.


A qualidade de um país é a soma da qualidade de seus profissionais, nos mais diversos segmentos do tecido social. Nenhum profissional de segunda classe é capaz de produzir qualidade. As empresas nacionais e multinacionais têm gastado milhões de dólares em treinamento e desenvolvimento de seus colaboradores. No entanto, a maior parte desses investimentos tem pouco ou quase nenhum resultado. Isto é, as empresas não têm conseguido, ao promover essas atividades, fazer com que seus profissionais evoluam, tanto no aspecto técnico - conhecimento, criatividade e competências gerenciais - quanto no comportamental - habilidade de relacionamento e comunicação, comprometimento e liderança - e cultural.

A realidade, por mais dolorosa que possa ser, fala por si mesma: ostentamos a 34ª posição entre as nações industrializadas no quesito competência e talento gerenciais. Há, evidentemente, brilhantes exceções, que nos enchem de orgulho, mas esse posicionamento não deixa de soar como uma contundente condenação. Costumo comparar as longas horas gastas em aulas normais ou em seminários realizados em luxuosos hotéis com a tentativa de se ensinar uma pessoa a nadar sem possibilitar-lhe o acesso à água. No dia em que a empurrarmos numa piscina, ela certamente se debaterá em vão e, se não for socorrida, terminará afogada. Da mesma forma, muitas empresas afogam e perdem profissionais de excelente potencial, por se preocuparem em ensinar-lhes apenas técnicas, sem dúvida, importantes, mas destituídas de profundidade interior. Eles são incentivados a usar as mãos em suas atividades, nunca a alma e o coração.

Os exemplos são abundantes. Não passo um dia em meu trabalho de consultor sem que encontre um profissional que tenha participado de uma conferência, de uma semana de treinamento ou mesmo de seminários internacionais. Ao sabatinar esses executivos sobre o conteúdo e as chances de praticarem em suas respectivas empresas os ensinamentos recebidos, as respostas são decepcionantes. Poucos, pouquíssimos, são capazes de racional e objetivamente transmitir o que aprenderam. As mudanças que esse "desenvolvimento" deveria produzir em executivos e organizações são também praticamente nulas.

Os gerentes continuam os mesmos, os processos os mesmos, as atitudes as mesmas - no máximo, ensaia-se alguma aplicação tópica, como remendo novo em roupa velha; a aparência de modernidade só serve para destacar o quanto o conteúdo é retrógrado e o ambiente, em seu conjunto, grotesco. Os principais objetivos de qualquer sistema educacional ou de qualquer política de treinamento e desenvolvimento são:



  • Criar homens capazes de ações novas, não simplesmente de repetir o que outras gerações fizeram ou que eles próprios estão habituados a fazer diariamente, isto, é, profissionais criativos, empreendedores, ambiciosos, inquietos e inventivos;

  • Formar mentes que possam ser críticas, analíticas, que não aceitem tudo o que é oferecido - mentes correta e politicamente "subversivas";

  • Tornar os profissionais melhores do que são, qualquer que seja seu papel;
  • Comprometer os profissionais com uma nova visão de futuro, que agregue novos valores e os torne suscetíveis e sensíveis às mudanças do mundo moderno e do ideal capitalista;

Os maiores inimigos do desenvolvimento profissional são:

  • O modismo gerencial que, de início, promete resolver os principais problemas do homem e da empresa, mas que acaba por torná-los ainda piores, destruindo nela a cultura interna e, nele, a capacidade de discernir o que é melhor para ambos;

  • Gerenciamento por slogans - opiniões coletivas, tendência de pensamento ready-made, baseadas no puro superficialismo, sem nenhuma preocupação com o conteúdo; o gerenciamento por slogans é, além de venenoso, destruidor da ética do caráter, por não considerar como fundamentos para o sucesso valores como integridade, humildade, persistência, coragem, trabalho duro, seriedade e autodesenvolvimento;

  • Preguiça, associada à falta de autodisciplina e motivação, geralmente expressas na pretensa justificativa "eu não tenho tempo para estudar". O paradoxo do tempo, como nos dizia Jean-Louis Servan-Schreiber (A Arte do Tempo), é que são raros os que acreditam ter o tempo suficiente, embora todos tenham sua totalidade. Como todo recurso, o tempo está disponível e destinado a ser usado. É o recurso mais democraticamente repartido: o poderoso ou o miserável, o trabalhador ou o vagabundo, cada um tem estritamente o mesmo tempo à disposição. O tempo é o único bem não renovável. Ao contrário de outros recursos, ele não pode ser comprado ou vendido, emprestado ou roubado, estocado ou economizado, fabricado ou substituído, multiplicado ou modificado. Só serve para ser usado. E se não o gastamos, ele desaparece da mesma forma. Dominar o tempo é dominar a si mesmo. Pior para aqueles que esperam por milagres, num país que infelizmente crê que Deus seja brasileiro.


O autodesenvolvimento é um imperativo da era do capitalismo intelectual e do executivo do colarinho de ouro. Subestimá-lo é comprometer o avanço da carreira, inibir as promoções numa época de poucas e limitadas oportunidades, reduzir as chances de aumento e maior ganho salarial, predestinar-se a viver num mundo que não conhece o sucesso nem oferece oportunidades de ascensão social.

No império dos despreparados, reinam soberanos: o improviso, os famosos choques econômicos, a falta de objetivos e políticas claras, a miséria e um ambiente em que os homens são escravos da própria ignorância.

LEIA TAMBÉM:
Os 7 pecados capitais: delegar a terceiros os rumos da própria carreira (parte 1)
Os 7 pecados capitais: optar de forma imprevidente pela empresa errada (parte 2)
Os 7 pecados capitais: permanecer por tempo excessivo na mesma posição (parte 3)
Os 7 pecados capitais: subestimar o valor do marketing pessoal de alta visibilidade (parte 4)

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