Não tem cadastro? Clique aqui!

Já tem cadastro? Entre aqui

  • BUSCAR
Busca avançada de vagas

Limpar campos

26/04/2010 - 14h15

Os 7 pecados capitais: optar de forma imprevidente pela empresa errada (parte 2)

Argumentamos no artigo anterior que não ter objetivos pessoais claros e confiar cega e irracionalmente seu destino a uma organização - por mais importante que ela seja - é um dos mais graves erros que um executivo pode cometer e um sério obstáculo a uma carreira vitoriosa.

Uma falha não menos perigosa é a escolha errônea de uma organização. É de estarrecer o número de profissionais que comprometem ou destroem sua carreira por não terem avaliado criteriosamente a organização que escolheram para trabalhar. Muitos ingressam em novo emprego num estado de total ignorância, como se empreendessem um voo cego.

Certa vez, fui contratado por uma multinacional para assistir seu diretor financeiro, demitido após um ano e meio de trabalho. Durante nossa discussão, ficou claro que ele não tinha avaliado em profundidade a história da empresa no Brasil e alguns dados fundamentais, como: nível profissional e cultura da alta administração, nível de tecnologia e competitividade dos produtos manufaturados e oferecidos ao mercado, saúde financeira, base de investimentos previstos para os próximos cinco anos, estilo de atuação do presidente, qualidade dos sistemas gerenciais implementados, nível de formação técnica, grau de experiência e atualização das equipes de trabalho e outros mais.

Esses são pontos que devem ser, necessariamente, considerados, antes que o executivo faça a si mesmo uma série de perguntas: "O que eu vou enfrentar? Que direção vou imprimir a minha atuação? Quais as minhas chances de sucesso nessa empreitada"?

Minha experiência revela que muitos profissionais escolhem uma empresa só porque ambicionam ganhar mais. Mas há outros enganos que, mais cedo ou mais tarde, podem redundar em fatalidade para um executivo imprevidente:

  • Receber e aceitar, estando desempregado, a primeira oferta que surge;
  • Não perceber perspectivas de crescimento onde está;
  • Demitir-se, sem avaliar criteriosamente as possibilidades de novo emprego.

Esses podem parecer à primeira vista bons motivos, mas, na verdade, são mais nebulosos do que claros e, por isso, jamais deveriam ser tomados como parâmetro para uma escolha criteriosa. Uma carreira não se sustenta apenas com a expectativa de novidade decorrente de um emprego inédito ou com a perspectiva de um salário mais alto. Ela tem significado muito mais amplo, na verdade, existencial, porque afeta a vida em sua totalidade.

Algumas das experiências profissionais mais devastadoras que conheço incluem a sensação de se estar num lugar que parece ser o único do mundo, mas no qual não se deseja estar nem de passagem, muito menos de modo estável no dia a dia de trabalho.

O diretor de informática de uma importante instituição financeira, atendido em meu escritório, tem uma história que soa de forma cristalina. "Tenho prestígio, status, poder e enormes compensações materiais: dezessete salários anuais, carro com todas as despesas pagas, título de clube extensivo à família, seguro de vida e assistência médica cinco estrelas, além de outros privilégios... No entanto, sou no íntimo um profissional triste, frustrado. Sinto-me como um peixe fora d'água. Para que não percamos tempo, e você possa conhecer melhor o meu estado psicológico, deixe-me dizer francamente: estou me autodestruindo. Não estou na empresa certa. Tenho plena convicção de que esse mal estar é resultado de minha insatisfação com o lugar em que estou. Preciso tomar uma decisão. O que você pode fazer para me ajudar?"

Várias lições podem ser extraídas dessa discussão:

  • Homens que não são capazes de escolher bem as organizações em que trabalham, em geral também não são capazes de tomar decisões gerenciais corretas;
  • Quando um indivíduo escolhe uma empresa para trabalhar apenas para garantir boa remuneração e a própria segurança pessoal, não age como bom profissional;
  • Quando um executivo exerce uma posição de poder e liderança numa organização que considera como o último lugar do mundo em que gostaria de trabalhar, mais cedo do que pensa, acabará destruindo a própria carreira e, indiretamente, o crescimento profissional dos integrantes de sua equipe; e, dessa escalada de destruição, não escapará a imagem da empresa, denegrida perante o público interno e externo;
  • Profissionais que, por uma razão ou outra, não sabem valorizar o lugar em que trabalham e do qual retiram o próprio sustento, portam-se indignamente; deveriam, por coerência, solicitar demissão ou ser imediatamente demitidos;
  • Em ambiente de trabalho, estando a cabeça doente, todo o corpo corre o risco de contágio; ambos necessitam, por isso, de tratamento urgente para que todo o organismo não seja contaminado;
  • Qualquer profissional que aspira ao sucesso, mesmo estando no lugar certo, tem às vezes de conviver com pessoas difíceis ou de enfrentar situações adversas; a superação de obstáculos, como todo aprendizado, favorece o amadurecimento interior, estimula o equilíbrio nas relações sociais, incentiva a habilidade política e a flexibilidade;
  • Finalmente, o homem não é produto do meio; o meio, sim, é produto do homem, isto é, o homem, tendo consciência de seu destino e missão, tem poder para influenciar as pessoas a seu redor e transformar o ambiente em que trabalha.

Como conselheiro de carreira (em processos de outplacement e inplacement), reconheço que nem todo profissional de valor tem perfil adequado para qualquer organização bem constituída. O inverso também me parece verdadeiro. Por isso, é fundamental que o executivo, antes de ingressar numa empresa, faça o seu homework - e a empresa também. Inúmeros erros podem ser evitados, centenas de carreiras podem ser salvas e incontáveis aborrecimentos podem ser reduzidos, se ambos atentarem para a complexidade das variáveis inerentes a um contrato de trabalho.


LEIA TAMBÉM:
Os 7 pecados capitais: delegar a terceiros os rumos da própria carreira (parte 1)

ver mais dicas

Destaques

Currículo
Cuidado na sua redação
Carreira
A Escolha da Profissão
Sabe a diferença?
Recolocação, Outplacement , Headhunting e Coaching
Colunas
Daniela do LagoDaniela do Lago
Cezar TegonCezar Tegon
Eugenio MussakEugenio Mussak
Elaine SaadElaine Saad
Gutemberg de MacêdoGutemberg de Macêdo
Judith BritoJudith Brito
Licia Egger MoellwaldLicia Egger Moellwald
Luiz PagnezLuiz Pagnez
Boletim
Receba por e-mail o boletim do Emprego Certo

É necessário informar um e-mail