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01/03/2010 - 09h00

Os seis medos de um profissional demitido

"De todos os mentirosos do mundo, algumas vezes os piores são os seus próprios medos."
Joseph Rudyard Kipling, escritor inglês, 1865-1936


A demissão, não importa a sua causa e circunstância, provoca no demitido reações e sentimentos negativos, seja ele o presidente de uma grande corporação ou um simples e humilde colaborador de chão de fábrica. Ninguém está imune aos sentimentos iniciais de choque, insegurança, raiva, ansiedade, culpa e injustiça que geralmente acompanham a demissão.

Como consultor para centenas de profissionais demitidos e oriundos de grandes corporações nacionais e multinacionais, creio que entre todos esses sentimentos, o mais devastador é o medo, nas suas várias formas, manifestações e consequências.

O medo provoca efeitos nefastos e trágicos no demitido por várias razões:

 

  • Ele cria nuvens densas e escuras sobre a realidade, impedindo desta maneira o demitido de ver as coisas de maneira clara, objetiva e racional.
     
  • O medo corrói e destrói a autoconfiança e a esperança do demitido. Sem autoconfiança, o demitido procura se esconder do mercado de trabalho, alegando as mais estapafúrdias justificativas: "o mercado está difícil," "os consultores não atendem aos nossos telefonemas," "a minha rede de relacionamento é pequena e frágil," "o mercado discrimina um profissional com mais de quarenta anos de idade," etc. Sem esperança, o profissional deixa de sonhar e se entrega ao imobilismo, em vez de trabalhar duro e inteligentemente pela sua recolocação. Thomas Edison (1847-1931), inventor norte-americano, certa ocasião comentou: "A razão pela qual a maioria das pessoas não reconhece uma oportunidade quando ela aparece é porque, frequentemente, ela vem vestida num macacão e se parece com trabalho."

     
  • O medo impede-o de ver e aproveitar os benefícios que somente a demissão é capaz de proporcionar. Aqui convém refletir sobre as palavras do diretor de tecnologia de importante empresa multinacional, demitido e assistido pela Gutemberg Consultores em seu processo de recolocação: "O homem na busca da perfeição não deve afligir-se, conquanto sem serenidade, ele não conseguirá sair do lugar. Devemos entender que, em verdade, a natureza não dá saltos. Tudo obedece a um critério de sequência evolutiva composta de degraus que devem ser transpostos um a um, passo a passo."
     
  • O medo limita o potencial do demitido, consequentemente, prejudicando-o em seu esforço na busca do trabalho de seus sonhos. Creio que uma das mais tristes experiências vividas por um demitido é acordar todas as manhãs com o sentimento de que ele não pode realizar seus sonhos e objetivos. É neste momento de falência psíquica, caro leitor, que ele deve pensar com profundidade sobre as diferentes saídas para sua vida e carreira. Ralph Waldo Emerson (1803-1882), pensador e escritor norte-americano, escreveu: "Nossa força nasce da nossa fraqueza." Somente após sermos espetados e feridos e dolorosamente atingidos é que a indignação acorda e se arma de forças secretas. Um grande homem sempre deseja ser pequeno. Enquanto ele se senta confortavelmente num colchão de vantagens, ele adormece. Todavia, quando ele é empurrado, atormentado, derrotado, ele tem a oportunidade de aprender algo; ele foi colocado sob o domínio de sua razão e natureza humana; ele obteve informações; aprendeu através de sua própria ignorância; foi curado da insanidade de seus preconceitos; e adquiriu moderação e habilidades reais.


Se o medo é tão prejudicial ao demitido, quais são os mais comumente observados na pós-demissão? Afinal, se não os identificarmos, como poderemos combatê-los e erradicá-los da mente e nos libertarmos de suas garras?

 

À luz de nossa experiência como consultores de Outplacement, identificamos vários deles:

1) O medo de comunicar abertamente à família sua demissão - "Como será que a minha família vai reagir a essa notícia?"
2) O medo do colapso financeiro - "Não tenho recursos financeiros para manter a família por muito tempo sem trabalho."
3) O medo de ser visto em casa pelos vizinhos - "Estou vendo que você não tem saído para o trabalho nas últimas semanas. Algum problema?
4) O medo de ser discriminado - "Estou com mais de quarenta e cinco anos"; "Não tenho mestrado"; "Não tenho fluência em outros idiomas".
5) O medo de pedir ajuda aos membros de sua rede de amigos - "Não gosto e nem me sinto bem pedindo favores a quem quer que seja."
6) O medo de não se recolocar rapidamente no mercado e de não encontrar posição à altura de suas ambições, qualificações e expectativas salariais - "Tenho conversado com vários amigos que estão no mercado há mais de um ano. Eles estão extremamente preocupados. Será que isso vai acontecer comigo?"

Sim, todo demitido exprime e alimenta algum tipo de medo ao longo de seu período de transição. Qual é o seu? Você é capaz de identificá-lo com clareza, objetividade e racionalidade? Que mecanismos você utiliza para eliminá-los e vencê-los?

Caro leitor, qualquer que seja a sua condição, é preciso encarar o medo com coragem, determinação, consciência, esperança, fé e muito trabalho. As palavras de Winston Churchill (1874-1965), estadista britânico, devem merecer sua reflexão: "Se fugirmos de algo que temos medo de fazer, o nosso medo tornar-se-á maior. Mas quando tomamos a decisão de enfrentar esse algo, a nossa tensão diminui e ganhamos mais segurança."

(Nos próximos artigos, discorrerei sobre cada medo e apontarei maneiras de contorná-los e superá-los com sabedoria).

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