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13/01/2010 - 19h18

Não transfira suas responsabilidades; assumir falhas é fundamental

Dizem que essa tendência de transferir responsabilidades é maior entre nós, latinos. O argentino Fredy Kofman, que é PhD pela Universidade de Berkeley e é professor nos Estados Unidos, observou isso, e comenta que se interessou pelo assunto quando seu filho de cinco anos um dia dirigiu-se a ele dando origem a um diálogo bizarro, mas pra lá de esclarecedor:

- Pai, sabe aquele carrinho que você me deu ontem?
- Sim, o que tem ele?
- Pois é, pai. Ele quebrou.
- Como assim? Ele se quebrou sozinho? Então ele cometeu suicídio?
- Foi, pai. Foi diante de meus olhos. Foi horrível!

Pense quantas vezes você mesmo, como o pequeno protagonista da história acima, transferiu a responsabilidade até para objetos inanimados. Eu, pessoalmente, tenho vários episódios, confesso. Quando estudei nos Estados Unidos, ainda muito jovem, consegui comprar um carro, um pequeno e econômico Ford Pinto. Certa vez, em uma das muitas freeways californianas, o valente carrinho de repente começou a tossir, sacudir-se todo até que acabou parando. Motivo? Falta de gasolina. Maldição!, disse eu, sem saber exatamente a quem estava dirigindo o impropério.

Em menos de dois minutos um carro da polícia encostava ao meu lado, e quando o policial perguntou o motivo de estar parado em lugar proibido, eu disse algo como: "Eu não tive culpa. A gasolina acabou". "Então de quem é a culpa?", respondeu o agente da lei por trás de seus óculos ray-ban. E então ele fez três coisas. A primeira deu-me alívio, a segunda vergonha e a terceira, prejuízo: levou-me até um posto de serviços para que eu providenciasse o combustível, passou-me uma descompostura por meu ato imprevidente de entrar numa freeway sem verificar o combustível e aplicou-me uma imensa multa.

Durante muito tempo eu me envergonhei do acontecido. Hoje o encaro como um aprendizado. Naquele momento eu me achava inocente. Na verdade eu estava impotente. Aliás, esse é o preço da inocência - a impotência. Se você deseja ter sua vida sob controle, o preço é outro - a responsabilidade.

Transferir a responsabilidade aos outros traz um falso conforto momentâneo, que termina por se transformar em vergonha com o passar do tempo. Uma análise mais cuidadosa de qualquer acontecimento negativo em nossa vida, sempre vai salientar nossa participação ativa no episódio. Mais, muito mais, do que gostaríamos de admitir. Seu namorado a deixou porque ele é um crápula ou porque você não investiu na relação nem em você mesma? O emprego não aparece porque o mercado de trabalho está ruim ou porque seu currículo não ajuda? Você não passou no vestibular porque a concorrência era muito grande ou porque você não estudou o suficiente?

É claro que sempre há, lembre-se, os fatores determinantes e os predisponentes a qualquer acontecimento. Pode ser que um fator determinante esteja fora de você, mas que você ajudou com um ou mais fatores predisponentes, você ajudou. Confesse! É verdade que o mercado está ruim, mas também é verdade que seu currículo não está ajudando. É real que o vestibular é difícil e concorrido, mas é ainda mais real que você não se preparou o suficiente. Todos sabem que os rapazes são inconstantes, mas todos sabem também que ele não foi estimulado a permanecer na relação com você, pela maneira como você se cuida e pela maneira com você o tratava. Só que ninguém diz nada, e se continua na ilusão vazia da falta de sorte ou de oportunidade. Assuma suas responsabilidades. O mundo vai respeitar você por isso.


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