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03/12/2009 - 21h05

Os limites (elásticos) da pressão

Recentemente, o mundo ficou chocado com as notícias sobre a onda de suicídios entre empregados da France Telecom. De fato, não parece normal que, em um período de dois anos, 25 pessoas de uma mesma empresa decidam pôr esse fim trágico à própria vida, mesmo se considerarmos que a companhia tem cerca de 100 mil profissionais, tratando-se, portanto, de taxa similar à encontrada entre homens franceses - uma das maiores do mundo. A justificativa, inclusive segundo cartas deixadas por alguns dos suicidas, seria a pressão excessiva exercida pelos gestores que assumiram a companhia após sua privatização, em 2004.

Convenhamos: provavelmente no caso da France Telecom houve alguma inabilidade no processo de transição; mas, se excesso de trabalho e pressão, sozinhos, fossem letais, não haveria mais viva alma em muitas empresas, especialmente as grandes, de capital aberto, com agravantes em fases de crise. Também vamos considerar os casos de depressivos crônicos e sem coragem que, aproveitando a onda, encontram um bom motivo para levar a cabo o plano acalentado secretamente, de forma consciente ou não. Afinal, mesmo para um ato desesperado como este, em geral, é conveniente uma justificativa - de preferência externa - para deixar ao mundo, razão pela qual muitos escrevem cartas culpando alguém ou alguma coisa.

Obviamente, este caso específico é uma fatalidade, não uma regra, pois se fosse regra, os tantos processos de privatização ocorridos no mundo - e que trouxeram melhores serviços e expansão dos negócios - simplesmente não teriam acontecido. No entanto, o fenômeno da France Telecom serve de referência para reflexões. Lendo sobre o assunto, lembrei-me de uma de minhas primeiras experiências profissionais: jovem e com idealismo no auge, fui delicadamente alertada pelo meu chefe na autarquia a "dar uma maneirada no ritmo, para não perturbar o ambiente." Naquele momento, entendi que devia procurar a minha turma.

A adesão ao ritmo alucinante de trabalho e à competição profissional são cada vez mais valorizadas nos dias de hoje, mas, numa análise fria e sem preconceito, o ritmo de trabalho e a submissão a diversos graus de pressão refletem diferentes estilos pessoais. O apreço pelo trabalho frenético não estava nas tábuas da lei. As pessoas são diferentes umas das outras, e ninguém é obrigado a fazer parte de empresas com cultura competitiva, ou dos times mais submetidos a pressão dentro das organizações. O segredo é cada um conhecer seu próprio estilo e seus limites, para tentar buscar "sua turma", dentro de um modelo profissional e de uma corporação adequados às expectativas individuais. Afinal, de vez em quando até podemos nos matar de trabalhar, mas matar-se - literalmente - por causa do trabalho não é um final aceitável.

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