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26/11/2009 - 20h11

Mulheres à beira de um ataque de nervos

Pesquisa recente realizada em várias partes do mundo mostrou que após as benesses da liberação feminina, as mulheres, paradoxalmente, estão mais insatisfeitas ou infelizes, enquanto os homens melhoraram nestes quesitos. Algumas ponderações: homens trocaram o machismo e a autoridade inquestionável pela participação e opinião das mulheres. Em compensação, trocaram a obrigação e o peso de ser o único provedor pela divisão de responsabilidades financeiras, e ganharam o prazer da participação na educação dos filhos. Mulheres podem usufruir dos prazeres da independência financeira e do sucesso profissional, mas livraram-se apenas parcialmente das obrigações e responsabilidades como "rainha do lar". O pior é que assumiram uma enorme culpa por "abandonarem os filhos". Fora o estresse de terem de fazer "tudoaomesmotempoagora".

Provavelmente, a fase de transição ainda não permitiu que nossas ansiedades ancestrais fossem amainadas. A revolução não é pouca: trata-se de mudar a razão maior de nossa existência biológica, o moto-contínuo da reprodução e da sobrevivência da espécie, ou a orientação bíblica contida na determinação: "crescei e multiplicai-vos". As taxas negativas de natalidade em países do primeiro mundo refletem bem este quadro. Por enquanto, estamos tentando combinar essa motivação visceral da humanidade com a racionalidade de decisões que se contrapõem "à natureza". Em algum momento do futuro, provavelmente sejamos menos angustiadas em relação ao abandono desta antiga predestinação de perseguir obsessivamente a continuidade da raça humana.

A angústia feminina vem do questionamento shakespeariano: caso ou compro uma bicicleta? Terei foco na vida familiar e nos filhos, ou na vida profissional? Ou, ainda, tento combinar ambos os focos, correndo o risco de fazer mal e porcamente os dois? Para preservar o antigo modelo de divisão rígida de papéis entre homens e mulheres - ele na vida profissional, ela na vida familiar -, glamourizamos a maternidade, tornando-a sublime e sagrada. É mesmo - mas é também difícil e cheia de pesadas responsabilidades. A grande transformação está na admissibilidade de uma vida rica sem esse componente. Sim, existe vida feminina fora da maternidade, e provavelmente as novas gerações poderão exercer escolhas sem tantas pressões, tendo na mesa os prós e contras de cada opção, de forma menos romantizada.

Afinal, a maternidade pode ser entendida em seu sentido lato. Sem dúvida, além dos filhos de verdade, podemos adotar outras paixões, inclusive as profissionais. É muito comum, por exemplo, ver mulheres vivendo o processo de construção de uma tese de pós-graduação ou o processo de uma pesquisa acadêmica como se fosse a gravidez e o parto. São tensões e emoções fortes até o nascimento da obra. Os cinco prêmios Nobel recebidos por mulheres em 2009, recorde histórico, talvez sinalizem esse novo tempo, em que as mulheres possam refletir e decidir, com liberdade e sem os constrangimentos do passado, que tipo de filho querem ter - ou não.

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