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23/11/2009 - 17h57

Carreira executiva - a grande mudança

"A oportunidade de pôr as mãos nesse grande negócio da energia estava bem ali na minha porta e eu sabia que, a menos que construísse a usina mais econômica possível, perderia essa chance".
Samuel Insull, "The Memoirs of Samuel Insull"

O desejo de mudança, avanço e conquista sempre acompanhou homens e mulheres de espírito diferenciado ao longo de suas histórias de vida e carreira. Foi esse desejo consciente e incontrolável que, transformado em ação, proporcionou-lhes benefícios, como visibilidade, notoriedade, reconhecimento público, poder, prestígio, progresso, fortuna pessoal e a oportunidade de deixar um legado às futuras gerações.

Há também aqueles de espírito fraco e carentes de ambição, que temem e se acovardam diante das mudanças por menores e mais previsíveis que elas sejam. Consequentemente, não se destacam, não progridem em sua carreira, não são percebidos nas organizações em que trabalham e, muito menos, na sociedade que os acolheu. Isto é, quem os observa em um único dia de trabalho não tem mais necessidade de olhar o dia seguinte - é mera repetição do dia anterior.

Durante os últimos 130 anos, a sociedade experimentou avanços tecnológicos espetaculares em todos os campos do conhecimento humano - na engenharia, arquitetura, medicina, biologia, física, matemática, administração dos negócios etc. Nesse cenário distinto e, para muitos, assustador, inúmeros profissionais foram pegos de surpresa, enquanto outros se anteciparam de maneira genial e mudaram o curso de sua própria história.

Um dos exemplos mais notáveis dessa genialidade é a de Samuel Insull, um inglês franzino, míope, trabalhador incansável e com pouca escolaridade. Ele abandonou a escola para trabalhar como office-boy em uma casa de leilões de Londres - mas era um devorador voraz de livros. Sua paixão de leitura era a vida dos grandes engenheiros. Segundo seu biógrafo, Forrest McDonals, Insull demonstrou desde o início de sua carreira "uma constituição metabólica peculiar. Acordava cedo invariavelmente, abruptamente, completamente, com a energia lhe saindo pelo ladrão". E, em outro trecho, acrescentou: "Desde muito cedo, ele aprendeu a ver a essência das relações entre as coisas ou entre os homens e as coisas, ou dos homens entre si, e a captar os princípios básicos com tanta clareza que conseguia perceber formas de alterá-los um pouquinho e fazê-las funcionar melhor. Ele tinha uma aptidão natural para a análise aritmética quantitativa do que via - a maneira de um contador ver as coisas". Em outras palavras, ele era um astuto observador da natureza humana, dos negócios e do universo. E essa astúcia intuitiva o impulsionava a fazer coisas diferentes.

Samuel Insull foi para os Estados Unidos em 1881, aos 21 anos de idade, para trabalhar com Thomas Alva Edison, recomendado pelo banqueiro, George Gouraud, responsável pelos negócios de Edison na Inglaterra. Oito anos depois de trabalhar exaustivamente ao lado de Edison e colocar seus negócios em ordem, Insull solicitou sua demissão em caráter irrevogável. Assim, ele abdicou de um emprego que lhe proporcionava um salário anual de US$ 35 mil para perseguir carreira em outra empresa que lhe pagava apenas um terço do que recebia no emprego anterior, US$ 12 mil anuais.

E o que motivou a fazer essa mudança radical, abrupta e inesperada? Ele percebeu que a natureza de um dos negócios de Thomas Alva Edison se tornaria obsoleto em pouco tempo e sua visão do ramo de eletricidade divergia daquela de seu mentor. Ele estava convencido de que o fornecimento de serviços públicos seria, no fim, um negócio mais importante do que fabricar peças para produtores de energia elétrica - a energia se tornaria commodity, como de fato ocorreu em pouco tempo. O próprio Samuel Insull foi a força propulsora dessa mudança.

A mudança súbita da carreira de Insull ilustra com grande propriedade a vida de inúmeros profissionais nos dias atuais que, diante da previsibilidade ou ameaça do advento de novas tecnologias em seu campo de atividade, desejam se antecipar e mudar rapidamente o curso de sua carreira.

Se você deseja fazer uma mudança em sua carreira movido por razões puramente tecnológicas, sugiro que tome as seguintes providências:

  • Leia tudo sobre as tecnologias emergentes e questione se elas verdadeiramente ameaçam o futuro de sua carreira. Cuidado para não colocar antolhos em seus olhos e olhar em uma única direção. Cultive uma visão oceânica.
     
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  • Questione se você está devidamente preparado para incorporá-las à sua carreira profissional e/ou que novos investimentos necessita fazer para se adequar aos novos tempos - cursos, seminários, voltar à faculdade, leitura, etc.
     
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  • Converse com profissionais que professam ter domínio e são reconhecidos como autoridades no assunto. Não se contente com conhecimentos adquiridos em almanaques. Cultive uma mente iconoclasta, desafie a sabedoria convencional.
     
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  • Identifique as suas habilidades e competências que podem torná-lo mais competitivo nesse novo cenário. Liste-as, avalie-as e discuta com outras pessoas sobre elas.
     
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  • Você está mental, emocional e financeiramente preparado para dar um passo para trás, se necessário for, como fez Samuel Insull? Senão, tome cuidado. Afinal, como ensina a sabedoria popular, "nem tudo que reluz é ouro".
     
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  • Procure um consultor preparado, culto e especializado em "Career Transition". Converse com ele sobre seus objetivos e os motivos que o fazem desejar mudar de carreira. Ao tomar tal iniciativa, cuidado com os consultores de última hora. Hoje, eles são em grande número, mas de qualidade consultiva plenamente questionável.

    Caro leitor, sua carreira é de extrema e vital importância. Portanto, trate-a como se ela fosse uma árvore frondosa e frutífera. Pode-a com regularidade, a fim de protegê-la contra possíveis vulnerabilidades e pragas; regue-a diariamente com a aquisição de novos saberes e de novas competências; deguste os frutos que colhe todos os dias, pois eles são resultados de seu trabalho árduo, disciplinado, focado e comprometido; não despreze nenhum galho, por mais frágil que ele seja - ele também faz parte da árvore.
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