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03/11/2009 - 15h09

Michael Jackson: um líder exigente, mas gentil

Eu sempre gostei de ver e ouvir o Michael Jackson cantar. Gostava do balanço das suas músicas, da dança e das fantasias que ele usava. Porém, só me dei conta do quanto ele embalou alguns dos bons momentos da minha vida depois da sua morte. Uma pena, porque seguramente eu o teria visto e ouvido mais.

Mas, sem melancolia, fui ver com a curiosidade de quem fala sobre comportamento o filme que estreou na semana passada sobre o show de Michael que ninguém viu "This is it". Não havia lido nada a respeito, a não ser de que seria um condensado dos ensaios para o show que nunca aconteceu. Portanto, não esperava nada de especial.

Talvez por isso tenha me surpreendido com o lado deste cantor que eu desconhecia, o Michael Jackson profissional. Exigente, inflexível em todos os aspectos ligados à qualidade, e intransigente com a disciplina que norteava a preparação das suas apresentações.

Cego diante das dificuldades para atingir a perfeição, impunha-se como um soldado em treinamento para uma grande batalha. O homem tinha garra, dirigia atentamente cada detalhe do show, mesmo os que provavelmente passariam despercebidos pelos fãs.

Depois de assistir ao filme, cheguei à conclusão de que Michael foi privilegiado com o dom de cantar, mas o seu sucesso foi resultado também de um esforço incansável na busca pela perfeição. Foram mais de trinta anos de repetição dos mesmos passos de dança, de disciplina para domar o cansaço e de humildade para entender que o sucesso não deveria atrapalhar a liderança.

O cantor que aparece no ambiente de trabalho, na simplicidade dos ensaios, era doce, educado e tinha clara para si a dependência daqueles que trabalhavam com ele. Jamais poderia ser grosseiro, ter um ataque ou ser estrela porque o produto que ele iria oferecer seria entregue ao público in live.

O filme se apresenta como uma doce lição para todos os profissionais sobre o quanto o empenho, a constância e a garra podem ser premiados com o sucesso. Mas, mais do que tudo, do quanto a docilidade e a gentileza, ao contrário do que se pensa, podem fazer parte do cenário do dia a dia do trabalho, sem colocar em risco a imagem do gestor ou do negócio.

No filme, a visão que se tem daquele homem é a de que, mesmo nos momentos em que a irritação e o descontrole com seus colaboradores seriam aceitáveis, o equilíbrio era mantido com elegância nas atitudes e palavras que ele usava, para se dirigir àqueles que não correspondiam às suas expectativas.

É provável que Michael Jackson nunca tenha lido nenhum livro sobre etiqueta no ambiente de trabalho ou frequentado algum curso sobre gestão de pessoas, acredito que nem seria preciso. Além do dom de cantar, ele recebeu o presente de saber intuitivamente como liderar pessoas. This is it Michael!

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