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30/10/2009 - 18h03

Planejar ou apagar incêndios?

É comum ouvirmos de gestores: "Não consigo parar e me planejar, pois passo o dia todo resolvendo problemas. Mal chego em minha mesa e já tenho uma bateria de solicitações, demandas de todos os lados. Respondo emails o dia todo..." E por aí vão as justificativas.

O que ocorre para ficarmos presos a essa condição por anos e anos sem conseguir modificá-la? Quando pergunto aos meus clientes se acham que um planejamento poderia ajudá-los na gestão, é unânime a resposta afirmativa. Quando checo se sabem planejar, muitos mostram que já fizeram diversos cursos onde esse tema foi abordado.

Ora, se percebem que é necessário e sabem como fazer, o que falta? Mais uma vez, a questão está na atitude.

Porém, cabe aprofundar um pouco mais esse entendimento. Muito venho questionando sobre esses elementos motivadores e levanto a seguinte questão: Quais os ganhos que as pessoas podem ter em manter a condição da gestão por apagar incêndios?

Foi por aí que iniciei minha investigação nos processos de coaching. Pude perceber um aspecto bastante interessante - parece contraditório, mas pode fazer sentido. Vou explicar: Os líderes reclamam dessa condição, se queixam por não conseguirem reverter esse ciclo vicioso - não conseguem planejar porque apagam incêndios e apagam incêndios porque não conseguem planejar.

Isso gera angústia pela não realização do que foi estabelecido como objetivo, gera estresse devido ao movimento de decisão por espasmo, mas dia após dia o movimento se repete.

Comecei a perceber que há um ganho secundário nesse processo. "Ora, se estamos dizendo que isso nos faz mal, como pode você me dizer que estou tendo algum ganho?" Ocorre que esses ganhos não são sempre conscientes. Podemos agir com base em ganhos inconscientes.

Ao atuar no "apagar incêndios" o líder é requisitado, solicitado como o salvador, aquele que resolve todos os problemas. É interessante que até a expressão apagar incêndios nos remete à figura do bombeiro, que representa o herói no imaginário das pessoas.

Nos sentimos bem ao sermos colocados nessa posição. Nos dá uma sensação de prazer. Na verdade é um conflito, porque associado a esse prazer de motivação inconsciente, vem também um enorme desprazer, pelo estresse excessivo que gera.

Então, se você leitor, quer realmente reverter esse quadro, terá que ter uma enorme disciplina. Comece fazendo algumas perguntas para si mesmo:

  • Você está delegando corretamente?
  • Você confia no trabalho dos seus colaboradores ou prefere fazer você mesmo para que saia "bem feito?"
  • Sua insegurança está fazendo com que queira controlar tudo?
  • Acredita que ter boa performance é resolver o máximo de problemas ou apresentar soluções criativas?

    Após essa autoanálise, procure estabelecer algumas ações novas:
    1. Estabeleça em sua agenda um tempo para se concentrar;
    2. Procure um lugar onde não seja interrompido a todo o tempo. Reserve a sala de reuniões de sua empresa, se não conseguir, negocie com seu superior para ficar em casa algumas horas;
    3. Busque o máximo de informações. Tenha os números que levam aos resultados em mãos;
    4. Se sua empresa tiver um planejamento estratégico, mantenha-o próximo para não perder o alinhamento;
    5. Analise o que cada membro da equipe está desenvolvendo e veja se está alinhado à direção que você estabeleceu e ao perfil do profissional;
    6. Tenha, de forma clara, objetiva e mensurável, quais são os indicadores que você precisa para atingir os resultados.

    Sair dessa condição de bombeiro requer muita disciplina. É necessário romper com o ciclo vicioso que você se encontra. No princípio, você poderá ter a sensação enganosa: "Eu deveria estar trabalhando". Mas, acredite, de forma planejada você ganhará tempo e evitará retrabalho.
    Poderá enriquecer a qualidade de suas decisões e ganhar tempo para cuidar do desenvolvimento de seus colaboradores, conquistando resultados cada vez melhores.

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