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Profissional em Foco
18/08/2009 - 17h41
Orkut, Facebook, Twitter. Como essas redes podem interferir na carreira de um profissional? Aliás, o que elas têm a ver com carreira? Acredite, muito mais do que imaginamos e do que tinham há alguns anos. Hoje, mais que uma rede de contatos com amigos de infância, do trabalho e da escola, esse espaço social passou a ser utilizado por profissionais de Era digital: cuide de sua imagem nas redes sociais
Viviane Macedo
Em São Paulo
Em São Paulo
Recursos Humanos - para buscar, avaliar e até mesmo conhecer um "outro lado" de candidatos.O currículo diz um pouco, as experiências, escolaridade e idiomas mais um pouco e as redes sociais completam o dossiê sobre o profissional, que é finalizado com entrevistas pessoais. Isso ainda não é uma regra, mas há grandes chances de vir a ser, afinal é cada dia mais comum. "Nos Estados Unidos já é muito recorrente e no Brasil, apesar de estar no início, já pode ser percebido de maneira bastante expressiva. Já entramos nessa era", garante Flávia Portella, consultora da DBM. Segundo ela, muitos selecionadores têm utilizado as redes e conseguido mais assertividade nos processos de seleção.
Big brother
Imaginar que as empresas estão de olho na sua página pessoal pode assustar, mas a informação deve servir como um alerta - tudo que se faz no mundo virtual é público e pode ser visto por qualquer um. "Antes de fazer qualquer coisa na Internet tem de pensar: eu faria isso à luz do dia, com todo mundo olhando? Se a resposta for não, então não faça. Se não quer que seja divulgado, não escreva, não publique, porque depois que cai na rede, esconder se torna quase impossível", afirma Edney Souza, diretor de operações da Polvora! Comunicação - empresa especializada em mídias sociais.
Comunidades como "eu odeio trabalhar", "todo chefe é mala", "odeio a empresa x" podem parecer ingênuas, afinal o que os amigos vão achar de errado nisso? Mas a escolha de participar ou não delas deve ser avaliada com cuidado, principalmente por aqueles que estão em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho. "O recrutador pode entender que se a pessoa tem coragem de entrar na comunidade 'eu odeio o meu chefe', também terá coragem de sair falando do gestor pelos corredores da empresa", alerta Eline Kullock, presidente da Foco Futuro."Nós vendemos nossa imagem o tempo todo. Hoje em dia, não adianta mais só fazer uma boa faculdade e falar muito bem inglês, já tem muita gente que faz isso. O profissional precisa se diferenciar de outras maneiras - nas redes sociais que participa, nas comunidades, nos comentários que faz", aponta Eline. Para ela, o currículo consegue maquiar alguns aspectos relevantes do profissional, mas utilizando essas ferramentas o recrutador apura com mais precisão.
O seu perfil nas redesDiante dessa nova realidade de comunicação e exposição, é preciso tomar alguns cuidados básicos para não sair prejudicado. Além da atenção redobrada na escolha dos grupos que fará parte, o ideal é dar manutenção aos perfis criados nas redes - um blog, por exemplo, precisa ser alimentado sempre. "A ideia de ter um blog é muito boa, mas tem de ter disciplina para manter esse material vivo, sempre atualizado. Mais que um conteúdo atrativo, é preciso ser constante", diz Priscila D'addio, consultora da Career Center. Ela afirma que conteúdos parados na web demonstram falta de persistência do profissional.
Ainda nessa linha, Edney explica que cada rede tem um alcance e um objetivo, então se a intenção é favorecer o networking em termos de carreira, é preciso perceber qual melhor atenderá essa necessidade, antes de criar perfil em todos os sites possíveis. "Não adianta estar nas redes por estar, é preciso ter condições de gerar um bom conteúdo e ter público para isso", aponta. Ele diz que algumas redes são menores, mas atendem mais o foco da carreira. Uma rede grande como o LinkedIn, por exemplo, é muito interessante para manter o networking, mas não se enquadra a qualquer profissional. "Geralmente são profissionais mais seniores, mais lapidados", complementa Flávia.
As redes a seu favor
Ter perfil em um ou mais sites e até mesmo manter um blog não significa que você esteja fazendo networking, a interação é indispensável para isso. "Não é o volume de contatos que vai dizer se você é bem relacionado ou não. A qualidade do relacionamento que mantém com essas pessoas que pode fazer a diferença", alerta Flávia. Manter contato, trocar informações pode ajudar a criar um vínculo maior. "A indicação de artigos, a troca de dados, enfim, toda forma de contato propicia a aproximação com outros profissionais", completa Priscila.
Não seguir essa tendência pode significar atraso para a carreira. Por isso, os especialistas garantem: as redes socias podem ser uma ótima vitrine profissional, basta saber utilizá-las. Quanto aos seus perfis pessoais, cheque com atenção e varra tudo aquilo que for inadequado. O bom senso por parte das empresas e dos profissionais faz toda diferença nessa relação vida, carreira e redes sociais. "A empresa tem de saber que vai encontrar preferências pessoais que nada interferem ou têm a ver para a organização, e o profissional também não pode pegar pesado, não participar de comunidades muito agressivas para o ambiente de trabalho. Quando existe esse equilíbrio, as redes sociais só tendem a ajudar os dois lados", finaliza Edney.
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