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04/08/2009 - 17h18

Seleções precisam de menos personagem e mais personalidade, afirmam especialistas

Viviane Macedo
Em São Paulo
Algumas dicas podem ajudar, mas receitas prontas para processos seletivos bem-sucedidos, realmente não existem. Ter atenção, foco e conhecer o mínimo da empresa são pontos primordiais e precisam ser do conhecimento de qualquer profissional, mas quando o assunto é maneira de ser e agir, definitivamente, não há certo ou errado, afinal nunca se sabe qual é o perfil desejado pela empresa.

Bruna DiasApesar disso, é cada vez mais comum encontrar candidatos "robôs", com respostas prontas, mecanizadas e um tanto clichês. Quem afirma é Bruna Dias, consultora da DMRH. "O que acontece é que hoje, em algumas dinâmicas de grupo, todo mundo tem a mesma fala, o mesmo discurso e isso não é real. Um discurso consistente acontece quando a pessoa é ela mesma, passa segurança no que fala, mostra-se à vontade com relação a isso", aponta a consultora. Segundo ela, além de demonstrar a criação de um personagem, muitos profissionais acabam se prejudicando no processo, às vezes, deixando de ser o que realmente a organização esperava para aquela posição.


Com preparação, sem máscaras
Quem se prepara não precisa usar máscaras no processo seletivo - quando conhece a empresa ou, pelo menos, o básico sobre ela, o candidato se torna muito mais competitivo na seleção. "Antes de ter qualquer contato com a organização é importante fazer uma busca no site, ler sobre o concorrente dela, como ela está no mercado", explica Fábia Cristina de Barros, gerente da Foco Futuro, divisão do Grupo Foco.

Personagens surgem justamente com a falta de preparo. Fábia garante que não saber sobre a companhia já é uma falha grave, mas não conhecer o próprio currículo é uma gafe maior ainda, que acontece muito hoje. "Não basta ter um currículo, é preciso conhecê-lo. As atividades desenvolvidas nas últimas empresas, os cursos que fez, quem deu, por que fez o curso, como ele agregou. Foi a uma palestra, então ter um motivo para isso, saber sobre o palestrante, suas ideias. Enfim, o candidato tem de ter sempre um conteúdo a mais para mostrar profundidade, envolvimento e não cair na armadilha de tentar ser o que não é", alerta.

Essa clareza no discurso vale muito mais do que qualquer mentira inventada para impressionar o selecionador. "Mentir realmente não vale a pena, porque se eu minto para entrar numa organização eu estou mentindo pra mim mesma. Além disso, vou ter de sustentar essa mentira por muito tempo, não compensa", diz Bruna.


Os processos hoje
Fábia Cristina de BarrosSegundo Fábia, hoje, as entrevistas mais comuns são por competências, o entrevistador busca fatos reais já ocorridos com o profissional, para conhecer um pouco mais sobre seu perfil e atitudes no dia a dia no ambiente de trabalho. "O selecionador pede, por exemplo, que o candidato conte uma situação onde teve de agir com criatividade para resolver um problema", explica Fábia. Ela afirma que a resposta tem de ser a mais natural possível e mesmo que tenha um caso negativo, o profissional pode colocar. "Um bom profissional se faz de erros e acertos. As pessoas tendem a mascarar as gafes da carreira achando que é um fator negativo, mas não é, desde que se tenha aprendido com isso", completa.

Outro alerta importante é com relação aos perfis. "Cada empresa tem uma necessidade, um estilo. Não existe essa história de perfil de trainee ser um, perfil para estagiário ser outro. Vai depender da empresa, do que ela espera de cada profissional", garante Bruna. A consultora explica que tentar se enquadrar a um perfil é um engano e o que tem de ser preservado em qualquer processo é a personalidade. "A preparação é devida, mas o candidato deve cuidar para não ser artificial. É preciso manter as características pessoais e imprimir a marca naquilo que está falando e não simplesmente reproduzir falas politicamente corretas", completa.

Algumas dicas sobre como ir bem em processos seletivos são sempre bem-vindas, mas seguir scripts não é a recomendação das consultoras. "Saber mais sobre seleções pode ajudar muito o profissional, mas ele precisa entender antes que as dicas existem apenas como um suporte, portanto é preciso filtrar e adequar àquilo que ele é de verdade - se existe segredo é esse, ser sempre você mesmo", finaliza Bruna.

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