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26/02/2009 - 16h26

Políticas de meritocracia

Outro dia, assistindo casualmente a um vídeo sobre a história da China, acabei conhecendo o que talvez tenha sido uma das primeiras experiências humanas de instituição de meritocracia. O imperador Qin Shi Huang, que nos anos 200 a.C. empreendeu a epopéia da unificação chinesa, foi sem dúvida um líder excepcional - no bom e no mau sentido. Para conquistar os demais estados chineses e estabelecer o império centralizado, Qin arregimentou um exército de mais de 500 mil homens, maior, por exemplo, que o que Napoleão liderou em suas conquistas, muitos séculos após. Pelas regras criadas pelo imperador, os soldados compunham grupos, cada qual com metas de quantidades de cabeças de inimigos que deveria apresentar aos superiores, como resultado de batalhas. Os que atingiam as metas eram premiados com honrarias, cargos e bens materiais. Aos derrotados restavam a desonra e punições que podiam chegar à morte.

Hoje em dia, qualquer empresa eficiente dispõe de programas de premiação em função do atingimento de metas estabelecidas. Há exemplos de algumas que chegaram a exageros à la imperador Qin: obviamente não houve casos que incluíssem a punição com a morte, mas certas empresas já tiveram como regra a demissão sumária dos que não atingissem as metas esperadas num determinado período, sem considerar o histórico de cada profissional ou contingências do mercado etc.

Usado com bom senso e como fonte de motivação, o modelo de meritocracia é eficiente, pois procura, de alguma forma, lidar com a questão da justiça. O mundo, sabemos, não é justo. Religiões ou crenças que tentam trabalhar este conceito precisam apelar para algum tipo de compensação divina, que transcenda as limitações da vida terrena. Sofremos agora porque, em algum momento da eternidade, teremos o paraíso. Empresas não têm como agir desta forma. Não há como prometer aos que se empenham mais ou se estressam mais, somente as benesses de uma suposta vida eterna. A via objetiva inclui promoções e prêmios pecuniários, aqui e agora.

Mesmo considerando apenas o específico cenário corporativo, programas meritocráticos também não podem aspirar à perfeição ou à satisfação de todos. O ponto de partida já não é de igualdade: uns tiveram famílias mais estruturadas que outros, ou condições sociais diferentes, ou oportunidades acadêmicas diversas etc. E ainda que tais premissas fossem de igualdade, não há como garantir que todos acharão justas as metas estipuladas pela companhia. Ao contrário, é bem provável que muitos as considerem erradas, exageradas, ou que outro time foi privilegiado. Em resumo: regras meritocráticas não garantem que todos serão felizes, mas são a melhor tentativa que podemos fazer na busca da justiça em ambientes corporativos.


Judith Brito

*Judith Brito é formada em Administração Pública pela FGV e tem mestrado em Ciência Política pela PUC-SP. Foi pesquisadora no CEBRAP e no IDESP, professora da FGV e há 18 anos está no Grupo Folha. Publicou dois livros: "Mãe é Mãe" e "Ah! O amor...: experiências cotidianas da vida a dois" (ambos pela Publifolha). É cronista do site www.metadeideal.com.br
 

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