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19/01/2009 - 19h04
É preciso olhar a crise com otimismo, diz Robert Wong
Viviane Macedo
Em São Paulo
Em São Paulo
Considerado pela revista The Economist um dos 100 mais destacados headhunters do mundo, Robert Wong, autoridade quando o assunto é carreira e mercado de trabalho, acredita que, diferente do que muitos imaginam, a crise pode sim ser encarada de maneira positiva.Ele considera que a autoconfiança e o autoconhecimento são dois importantes ingredientes para o sucesso de um profissional e acredita que eles são capazes de direcioná-lo pelos melhores caminhos. "O autoconhecimento pra mim é fundamental, porque com ele você tem aquela característica essencial para o sucesso, a autoconfiança", afirma Wong.
Em entrevista ao EMPREGO CERTO, o headhunter diz como encarar a crise com um novo olhar e dá dicas importantes para profissionais - empregados e desempregados.
EMPREGO CERTO: Estamos em meio a uma crise que abala o mundo e já começa a causar insegurança no mercado aqui também. É possível encarar esse cenário de forma positiva?
ROBERT WONG: Eu acho que não só é possível, como também necessário. Crise é uma questão de postura de cada um - a partir do momento que você deixa os desafios lhe derrotarem, você os transforma em crise. Eu não estou querendo pintar a situação de cor de rosa, mas acredito que nós somos capazes de transformar cada situação. Por que tem certas pessoas que tiram proveito e outras pessoas se sentem derrotadas? Por uma simples palavra: atitude. Eu não tenho controle nenhum sobre os problemas no mundo, sobre os bancos, sobre a inflação, mas existe algo que eu posso controlar - a minha atitude perante a situação. Se a minha atitude é positiva, eu crio uma oportunidade, se a minha atitude é negativa, aí eu crio um problema o uma crise.
EMPREGO CERTO: Aqueles que estão trabalhando tem de se destacar ainda mais para mostrar o valor do trabalho que desempenham?
WONG: O profissional tem de fazer o seu melhor sempre. Seria oportunismo começar a trabalhar mais, porque está em crise. Mas, sim é válido, quem está empregado tem de dar um extra, porque todo mundo está de olho e quem tem um emprego tem de segurar.
EMPREGO CERTO: Muita gente se apavora com o momento. Quem está trabalhando teme a demissão, quem está desempregado acha que não vai conseguir um emprego e, muitas vezes, até para de procurar. Onde está o erro? Qual o melhor a fazer num momento como este?
WONG: Uma coisa que a gente tem de trabalhar é a autoconfiança. Com autoconfiança estando empregado o profissional se sente seguro, mostra seu serviço, seus resultados e assim continua na empresa. E, estando desempregado, ele acredita que vai conseguir reverter a situação, que vai achar uma saída. Essa palavra é fundamental e não é utopia, depende sinceramente da gente.
EMPREGO CERTO: Estar atualizado também ajuda a manter a empregabilidade?
WONG: Com certeza. E este momento é bom, porque com a economia mais lenta, talvez o profissional encontre mais tempo para investir nele mesmo. Empregado ou desempregado a solução não é lamentar, tem de investir, aprender novas coisas, entender o que de bom tem para oferecer e melhorar isso mais ainda para que possa fazer com mais afinco. É importante estudar línguas, novas técnicas, novos aprendizados, novas culturas, informática - essas são algumas das formas que o profissional tem de ser mais atrativo ao mercado, mais empregável.
EMPREGO CERTO: Reclamar e ter medo não ajuda, pelo contrário, só atrapalha, não é mesmo?
WONG: Existem dois tipos de medo: o medo real, que é bom, é aquele medo de um leão solto na sua frente ou do ladrão com uma arma apontada para você, então ele te alerta para ter uma atitude capaz de salvá-lo. Mas, mais de 90% dos nossos medos são imaginários ou virtuais. "Ai, o meu chefe vai brigar comigo... Vou perder meu emprego... Ai, eu não vou conseguir um emprego novo...". E fica com esses medos que paralisam e que, muitas vezes, impedem de ver que isso não está acontecendo. Então, a gente tem de pensar o que é medo real e o que é medo virtual e eliminar esses imaginários da nossa vida.
EMPREGO CERTO: Você falou sobre a autoconfiança, importante para qualquer profissional, mas buscar equilíbrio e passar calma para a equipe é função do líder?
WONG: Acho que talvez essa seja a principal função dele. Se um líder, o comandante, o capital do barco está apavorado, isso transmite para todos. Os liderados são dependentes dessa pessoa e o exemplo dela é fundamental. Então, o líder tem de manter o equilíbrio, ficar com a cabeça no lugar para ver a luz no fim do túnel. E uma palavra de incentivo dele, não com falso otimismo, mas com realismo, pode contribuir para toda a equipe. Ele tem de ter a condição de acalmar as pessoas, de passar segurança, estabilidade. Ficar amedrontado é a pior coisa num líder, afinal esse medo vai refletir em todo o grupo.
EMPREGO CERTO: Para você, qual é o segredo de driblar os obstáculos e ter sucesso na carreira, com ou sem crise?
WONG: Todos nós temos que investir no maior conhecimento que o ser humano deveria ter, o autoconhecimento - são poucos os que se conhecem de verdade. Sabem de todo o resto - conhecem o elenco da novela, o time, o companheiro, os amigos, mas não se conhecem. O autoconhecimento pra mim é fundamental, porque com ele você tem aquela característica essencial para o sucesso, a autoconfiança. Só confiamos em quem conhecemos, então só podemos confiar em nós se nos conhecermos.
EMPREGO CERTO: Que dicas práticas você daria para que o profissional consiga superar a crise?
WONG:
E, por fim, eu sempre dou um conselho, tenha "IDAS":
Intenção: Estabeleça sua intenção - eu quero mudar de emprego;
Decisão: Bata o martelo em cima disso - eu vou mudar de emprego até o meio do ano;
Ação: Tenha atitudes capazes de realizar sua intenção - mandar currículos, falar com pessoas, rever contatos;
Sustentação: Sustente a ação até o êxito - nós brasileiros temos muita iniciativa, o que nos falta é "acabativa". A gente desiste no caminho, é preciso muito foco, muita força de vontade para chegar no final.
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